terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Frankfurt radioactiva

03:30 da manhã. Acabo de chegar a casa com um pouco mais de cubas livres do que me era devido. Para além de um jantar mediano de despedida de um amigo indiano - o próximo jantar será de despedida da minha pessoa, estive num bar cubano, mediano. A menina do bar era uma cubana assim assim que teimava em falar em inglês comigo, como se o espanhol fosse tremendamente difícil.


Chove em Frankfurt após 5 dias a nevar continuamente. Eu gosto da chuva quando a chuva se ouve. Detesto o bate leve levemente, como quem chama por mim, dos flocos de neve. A cidade, com esta chuva que me acompanha neste 20 minutos de caminho do ar indiano para a minha casa, de uma ponta a outra da cidade, tão pequena que ela é! despe-se daquele ar branco radioactivo, os telhados, com ela, voltam à cor normal. Se há coisa que eu gosto nestas cidades brancas de neve como se de cidades fantasmas e radioactivas se tratassem é a parta fantasmagórica das mesmas. Adoro a ausência de pessoas. O mundo deveria ser uma vez por ano, ao menos, totalmente ausente de pessoas. Por isso é que Frankfurt de branco se torna radioactiva e por isso é que eu gosto deste branco de Frankfurt. Parece que ninguém cá vive.

Como já deu para reparar, não estive, como me prometi, com a Anna que em Frankfurt é com dois énes, mas há algo de positivo em tudo isto, visto a Anna ter-me enviado um SMS a dizer que estaria livre para passarmos o serão de terça-feira juntos. Eu, por um lado, porque já tinha o jantar mediano de despedida do indiano marcado, SMSei-lhe dizendo que não poderia estar com ela, e, por outro, acho que faria o mesmo mesmo que não tivesse nada marcado. Porquê? Estratégia. Uma pessoa não pode dar ares de aflito nestas situações. Eu acho que me portei bem. Liguei-lhe ao final da tarde a dizer que não podia. Tive uma conversa interessante onde de assuntos interessantes se falou. Ela, parece-me, gostou. Eu gostei. Portei-me bem. Ela também. Falei-lhe de férias enquanto da linha repleta de bites e bits só imagina o seu sorriso. Her voice is so cute.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Antiguinhas


Raimundos, Anna Júlia

Quem te ver passar, assim por mim...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Anna

Encontrei um bar excelente em Frankfurt agora que me vou embora daqui. Ora, defina-se um bar excelente. Um bar excelente é um espaço que tem ter boa música e num volume que não iniba uma boa conversa, tem boa comida e melhor bebida. Este, o tal bar, para além de preencher esse requisito básico, às Quartas, Quintas, Sextas e Sábados tem a servir-nos com a sua simpatia e inteligência uma das mais bonitas ucranianas que conheço. Que conheço salvo seja. Enquanto o seu bonito é bonito porque consensual, a sua inteligência topa-se no seu perfeito inglês sobre os mais diversos temas, dos mais simples aos mais complexos, dos mais lineares aos mais esquisitos. Aos Domingos, Segundas e Terças, a Anna, com 2 énes sempre que está na Ucrânia e com um éne quando em Frankfurt, dedica-se de corpo e alma ao seu curso de línguas. Às terças… Bem, pelo menos a próxima, espero que jante comigo.


Sempre que frequento o bar disperso a minha atordoada atenção entre a Anna, o seu sorriso de um mundo que não é, eu que tenho todo o tempo do mundo, para já, o meu, os seus cabelos mais pretos que o preto gerado pela mistura equilibrada de todas as cores, o seu corpo de mulher que com 20 e poucos anos é madura, o seu movimento de bailarina sem esforço, e a Fashion TV. Ora o absurdo de toda esta situação não está nos esquemas que arranjo para que a Anna, o seu patrão e o resto dos clientes não reparem no quanto admiro aquela presença, mas sim na Fashion TV. E nem é por nos últimos tempos esta TV apresentar muita moda portuguesa que, das duas uma, ou não têm mais o que fazer ou estamos a ficar famosos neste submundo dos cortes e coses, mas por, a meu ver, depois de duas horas bem passadas com os olhos posto na Anna e nos televisivos corpos esbeltos com roupa a condizer, se tornar ridículo apresentarem sempre o presidente do canal, Michael Adam, um ser balofo, feio, com um aspecto de maricas com um mau gosto tremendo, sempre reluzente de uma gosma à base de um óleo ou uma vaselina qualquer.

É que deixam de me cair bem os meios litros de cerveja pilsen e, de um mundo que por momentos é idílico, passo abruptamente para a crosta terrestre de um deserto do Saara. E vou-me embora, sem tempo nem disposição para convidar a Anna para um jantar à luz de qualquer coisa, e isto é um desterro uma vez que a minha terça está já aí e a minha aventura por Frankfurt está mesmo a terminar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Censura do dicionário português

Não sei por que carga de água o dicionário do MS-Word não aceita a palavra Copulação. A palavra marcada a vermelho por este dicionário tem um impacto na minha amígdala emocional ainda mais severo do que o impacto provocado pelas repreensões do senhor abade da freguesia, no antigamente. Assim, pode dizer-se que o vermelho do MS-Word sob esta palavra está para a minha emoção como os puxões de orelhas do senhor padre estiveram para a minha vida: Só serviram para atrasar. Quando tento ver o que o dito dicionário me sugere, clicando no botão direito do rato e acedendo a correcção automática, apenas a palavra “copularão” é sugerida. Ora é precisamente aqui que verifico uma espécie de censura do português, censura essa que não se verifica, tenho a certeza, se usarmos o dicionário de português do Brasil. E há censuras que nos atrasam, em todas as áreas, da economia à saúde, das finanças ao bem-estar, a censura da palavra copulação é uma delas.
"Copulação" não tem nada a ver com o “copularão” sugerido pelo dicionário português. “Copulação” é um facto, é uma acção, copularão é uma possibilidade remota, e aqui, não tenhamos fantasias, passando o dia passa a romaria. Copularão é tempo verbal futuro ainda mais longínquo ou num intervalo de incerteza maior do que a sua forma verbal conjugada no condicional: Eles copulariam se... No condicional pelo menos sabe-se o que impossibilitou a copulação e, na próxima oportunidade, tenta-se remediar as coisas antecipando esses ses. A copulação no futuro, copularão, não nos ajuda em nada, apenas, como já disse, nos atrasa. É que os portugueses têm fama de ficarem à espera de quem nunca vem, como no caso do D. Sebastião, quer haja ou não haja nevoeiro.

Não há pior censura do que aquela que nos toma pelas promessas. Copularão é uma promessa do dicionário português da Microsoft. Uma possibilidade improvável e, por isso, castrante. Procurando definições para a palavra na internet encontrei alguns argumentos que desprestigiam a acção implícita da copulação, por exemplo, o vikcionário (http://pt.wiktionary.org/wiki/copula%C3%A7%C3%A3o) diz de Copulação: Variante pouco usada de cópula. Isto é desprestigiante! É claro que também encontrei alguns dicionários com descrições quase candidatos a prémios Nobel (http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/10/glo_id/3104/menu/2/), onde copulação aparece como “União dos órgãos sexuais masculinos e femininos, destinada a permitir a introdução dos espermatozóides nos órgãos genitais da fêmea. Nos mamíferos – incluindo o homem – consiste na introdução do pénis na vagina. No caso do homem, emprega-se mais correntemente a designação coito. 2) Sin. de fecundação”.
É ou não é uma descrição literária e da bonita?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ómni

“Prontos”, então é assim, Alemanha, Frankfurt, 2 rapazes criativos, uma bateria e um… bem, um óvni? não, não é um óvni porque não voa, então, se não voa e faz este som espectacular será um ómni?, sim, sim um ómni, um Objecto Musical Não Identificado.

É a segunda vez que os apanho e, infelizmente, não os apanho nas melhores músicas mas, mesmo assim, é música e da boa. Tenho que encontrar este ómni, parece ser fácil de tocar, pelos menos um dos elementos do duo toca aquilo sem esforço, com prazer, quase em transe, como se se tocasse.

Haja criatividade e aja-se com musicalidade.
(Claro, o gajo que passou à frente da cámara com a saquinha Lidl matou-me o vídeo)


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Hei-de amar uma pedra

Como já tive oportunidade de dizer, Antonio de Lobo Antunes é um dos melhores escritores do nosso tempo. Se tivesse que fazer uma comparação com Saramago, diria que este, Saramago, é um senhor de grandes ideias, veja-se por exemplo como começa o seu Intermitências da morte, em que “no dia seguinte ninguém morreu”, e como acaba o mesmo livro, em que, pasmem-se, “no dia seguinte ninguém morreu”, e diga-se, grande imaginação!, e poderíamos continuar com o seu Ensaio sobre a lucidez em que não poderia começar de melhor do que um “Mau dia para votar”, como se houvesse em Portugal algum bom dia para votar quando se analisam as aberrações que o bendito ócio promove e encarrega de nos governar, bem, como estava a dizer, se tivesse que fazer a comparação com Saramago, diria que este, ALA, ALA de António de Lobo Antunes e não ALA de Alá nem de Alibábá, é um grande escritor, um dos maiores escritores do meu tempo, enquanto por aqui andar. A forma como o seu Cús de Judas foi construído, o seu segundo, livro não cú porque cú mesmo com silicone só se tem um, não deixa margem para dúvidas nem muito espaço para qualquer avanço ou progresso literário, porquê, porque é um livro prefeito nas frases, nos parágrafos, nos capítulos, perfeito literariamente, literalmente, é literatura da melhor e pronto. Já Saramago é mais ideias o que é muito bom uma vez que a maior parte do povo português, quer viva dentro ou fora de portas, e por mim falo, é mais bolos, bolas literárias ou bolas desportivas, diárias, para agravar a situação.


Estou a ler o Hei-de amar uma pedra por causa do título e porque haveria que entrar por algum lado, e, tenho a certeza, que os verdadeiros críticos literários iriam dizer-me, Hei-de amar uma pedra?, olha, rapaz, “Não entres tão depressa nessa noite escura” e lê-lhe antes o “Livro de Crónicas” ou o “Segundo livro se crónicas” que é mais para a tua idade. Mas eu sou uma pessoa de ideias fixas, e continuo a ler o Hei-de amar uma pedra. Confesso que está a ser difícil. Confesso que, como o livro é grosso e está a dar para muitas viagem e algumas meias horas de cada uma das minhas meias-noites, às vezes chego a pensar que o ALA ou a gráfica se enganou no título. Este livro, desconfio, nunca se chamou Hei-de amar uma pedra, e, porque não o entendo, acho que antes do engano na impressão o verdadeiro título era “Acabei de fumar uma pedra”, um calhau dos grandes, diga-se. Este livro está a ser pesado. Depois conto-vos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Nina

E os teus olhos olharam-me pela última vez, pintados de um adeus triste, de um até qualquer dia eterno, de uma gratidão sem medida. Disseste-me adeus como dizem adeus alguns dos mais extraordinários seres humanos e esperaste que eu te desaparecesse no escuro da noite a formar-se cá fora à mesma velocidade com que avançava o escuro arterial do teu coração. Amei-te como se amam as pessoas e, esta minha mistura de amor e cobardia, esta má formação congénita que trago presa à alma em cada um dos meus renascimentos não me fez capaz de te ver partir. Fugi como sempre fujo, fugidiamente. Por isso, quando me olhaste de olhar vidrado de dor e sufoco, sabias com uma intuição canina que aquele era o momento final e, num esforço derradeiro, paraste a aflição que te ruía o coração morto por partir e transformaste para sempre o meu isolamento na mais pura das solidões da mesma forma que a melhor das alquimias transforma qualquer elemento no mais puro dos oiros. Se pudesse inverter o fluxo do tempo com a mesma facilidade com que um piloto inverte o fluxo propulsor de um avião adormeceria contigo aquela noite para que me abandonasses com a ideia de que te amei sem exigências como se deveriam amar as pessoas, amei-te como se ama a natureza, sem palavras, de coração completo, aberto, sem nada para te ocultar. Vi-te nascer e andei contigo ao colo, vi-te viver e esses momentos ajudaram o movimento rotacional dos imensos mundos que trago como tu trazias cá dentro, não te vi morrer e tu, com a mesma hipersensibilidade com que sabias que aquele momento em que nos olhámos seria o último, tinhas a certeza desde que nasceste de que eu não teria a coragem de te ver morrer. Sei que me perdoaste logo na sabedoria ingénua dos teus primeiros meses, mas, mesmo assim, sob todo esse teu perdão, este é o preço que agora pago por não ter dado os meus braços à dor de te ver partir, é esta a imagem dos teus olhos saliente curvando as extremidades tristes para o chão húmido da tua respiração forçada, da mesma forma que os velhos fazem vénias doloridas à gravidade ou à bengala, que agora lateja dentro de mim, são esses olhos que em vida com toda a vida queriam falar sobre as sensibilidades e os mistérios que transportavas contigo desde pequenina que agora me olham abandonados para sempre, tristes, tristes como um obrigado mútuo pelo que fomos e pelo que a natureza já não nos permite voltar a ser, triste como um sem abrigo que chega ao final da noite sem ter onde se abrigar, tristes com quem vê na areia a vida a fugir-lhe por entre os dedos. Tristes tristes. É esta a obra que sem querer plantaste cá dentro, de mim e de outras tantas pessoas. Obrigado por teres feito parte da minha vida, obrigado pelos sábados madrugadores em que pacientemente ouviste enquanto passeávamos quase de mão dadas todas as histórias absurdas que sempre tenho para contar. Obrigado por teres existido Nina… Todos os trovões irão trazer-me de vota os teus medos, os medos mais sapientes.


Não morrerei sem entender que mal te levou.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fácil

Tu és fácil de me perder.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Só queria fazer um aviso...

Só queria avisar os mais desatentos que hoje faço anos. Venha daí os parabéns se faxabor!

domingo, 8 de novembro de 2009

5 minutos

Desço para cumprir a minha rotina dos domingos, saco de roupa numa mão e os detergentes e amaciadores na outra. Chegados à sala das máquinas, eu a roupa e os detergentes, verificamo-la ocupada. À espera de a desocupar está uma senhora assim-assim, com idade incompreensivelmente compreendida entre os 27 e os 30, assim-assim dizia, um tudo nada nada de especial, das que passam incógnitas pela vida, Is it finishing, pergunto, a kind, responde ela, a kind, questiono eu, a kind of what, continuo só em pensamento, Well, it will take like 15 to 20 minutes, Ah, ok, so, I will come back later, termino e saio, deixando o saco da roupa e os detergentes a marcarem lugar.
Isto dos minutos tem um tremendo impacto na vida das pessoas, minutos feitos de segundos que influenciam decisões tomadas em milésimos de segundo. Se a senhora que passa incógnita pela vida tivesse dito que a máquina terminaria o ciclo em 10 15 minutos, eu, tenho a pura certeza, iria esperar, assim, como referiu 20, decidi ir dar uma volta a ver se encontrava uma padaria aberta. Como disse, 10 15 minutos seria um tempo suportável e onde facilmente conseguiria manter uma conversa assim-assim. E então fui. Ao passar por uma igreja vejo pessoas aos grupos com aspecto de portugueses. Nunca me engano, mesmo nos aeroportos é dificil de identificar quem são os portugueses. Há qualquer coisa de singular neles. Nunca me engano. Estes grupos também eram de portugueses à saída da missa. Pergunto a um grupo de 3 senhoras se eram portuguesas, e elas dizem que sim, que eram que tinham ido à missa e que havia missa sempre ao meio dia menos um quarto e catequese também e que se eu quisesse ir seria melhor ir apresentar-me ao padre, e que há grupos de portugueses em Frankfurt. Enquanto falavam olhava para elas olhos nos olhos para não me distrair com os possíveis bigodes. Estas não tinham, acho, eu não lhes tirei os meus olhos dos seus olhos. Depois, despedi-me e vim colocar a roupa a lavar na máquina. A jovem assim-assim já não estava lá e a sala tinha o aspecto de vazio igual ao momento em que ela lá se encontrava. E foi assim, mais um fim-de-semana. No próximo fim-de-semana já sei o que vou fazer, vou à missa das 11:45, e depois, dependo do ambiente, decido se fico para a catequese. E é assim que 5 meros minutos determinam a vida de uma pessoa. Se tivesse ficado a falar com a jovem que passa incôgnita pela vida a esta hora estaria completamente desinformado a respeito dos horários das missas.

There is a light that never goes out



Take me out tonight
where there's music and there's people
who are young and alive

The Smith

Prozac

João Pereira Coutinho diz, Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos, E referia-se às crianças que, hoje em dia, são criadas como potros numa pista de competição. E não me admira nada a mim! Se olharmos, e não precisamos de ir muito longe, para os fluxos humanos em Portugal, eles, que aparentam ser diversos e visarem direcções completamente oblíquas, seguem afinal princípios comuns e, fatalidade das fatalidades, acabarão, todos, nesse lugar onde se mama forte no prozac. Porquê? Porque a necessidade é sempre a mesma e a ambição é sempre desmedida. O querer ter mais do que… Sendo o “do que” ainda mais fatal e condicionador do que o “querer ter mais”.
Primeiro compra-se uma alta-fidelidade porque o rádio da casa dos pais faz um barulho estridente, brinca-se com ela até à exaustão e até ao ponto em que o som, só por si, passa a não chegar, e vem a televisão, enorme, que se liga à alta-fidelidade e se obtém, quase, um ambiente de cinema. E pensamos que atingimos já, aos 26 28 anos, a máxima satisfação e realização que a sociedade exige ao ser humano, porque nenhum vizinho consegue igualar em som aquilo que dentro do quarto possuímos, mas, de repente, começamos a sentir que o quarto na casa dos pais é pequeno para tão grande ambiente cinematográfico e começamos a procurar uma casa para colocar a alta-fidelidade e a televisão. E chegamos à conclusão que esse espaço cinematográfico só se consegue com a entrada de um sócio, e começamos a namorar mais a sério o negócio. E a natureza oferece-nos sempre o que procuramos e então encontramos o tal sócio com gostos e conhecimentos idênticos. E casamos em favor da cinemateca que entretanto vamos mudando para o novo espaço. Então, agora que o público é o dobro do que era inicialmente na casa dos pais, o cinema começa a ficar ultrapassado e com o que se conseguiu juntar de um casamento, renova-se o material, para melhor, muito melhor, a televisão passa a ser um plasma 2 por 2 e o som, estéreo, já funciona sem fios. E pensamos mais uma vez que agora sim, que agora estamos naquele ponto muito perto da perfeição, e passamos fins-de-semana infindáveis a ver todos os filmes que há para ver e a ouvir todas as músicas que há para ouvir, sentados num mesmo sofá, ainda agarradinhos. Passa um ano, às vezes 2, até que o “agarradinhos” começa a dar lugar àquele desconforto provocado por aquilo que os ingleses chamam de booring e nós chamamos de seca. Aquele ambiente que era perfeito porque era completo e porque ninguém na vizinhança tinha conseguido fazer melhor, começa a dar lugar ao desconforto do falta qualquer coisa neste silêncio de cinemateca e nestas nossa conversas de mudos. E então, quando já não há mais para inovar, quanto toda tecnologia atingiu o limite, começa a pensar-se ter um filho para preencher o vazio que a alta-fidelidade já não consegue preencher. E então vem o filho, a mais singela extensão biológica da alta-fidelidade, e, como antes, também agora e depois, essa renovação da alta-fidelidade, essa extensão, esse filho, tem que ser melhor do que tudo o que há no bairro. E esses pais mentalizam-se disso e começam a investir na alta-fidelidade agora meio por meio electrónica e biológica, a tentar aperfeiçoar-lhe as áreas que, para eles, devem ser aperfeiçoadas. E temos esta geração de vivos mortos que nascem já frustrados por falharem nas áreas em que os pais queriam que eles triunfassem. Daqui a 20 anos estaremos todos a mamar forte no prozac, para esquecer a frustração, uns de não terem conseguido ser a alta-fidelidade em que os papás investiram, outros, os papás, por não conseguirem criar a melhor alta-fidelidade do bairro.
Eu pensarei sempre duas vezes se realmente quero ter uma alta-fidelidade lá em casa.

sábado, 7 de novembro de 2009

Porque eu o mereço

Dois ovos e um tomate, dois ovos e um tomate porque dois tomates e um ovo, caso fosse, seria para ser servido antes, durante a noite, noites menos solitárias, queijo mozzarela, leite com café, leite com cereais, pão, geleia, pão com geleia, iogurte, ice tea, fruta, queijo francês, um queixo português e o White do Maximilian Hecker a rodar em fundo, um pequeno-almoço de rei, um grande pequeno-almoço de mim que às vezes sou grande para mim que às vezes sou tão pequeno.

Porque eu o mereço.

White
I can’t cry when it hurts me so

There’s no light in my eyes
I can’t leave when you take those pictures
Of me with my pale and sad face

Oh when will the light fill my eyes
Will your hands touch my cheek
And everything is white?

Maximilian Hecker - Infinite Love Songs
(
Pena que não tem vídeo official)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Coisas bonitas

Não, ainda não estou aí, nessa estratosfera da abstracção e do conhecimento. Tenho coisas bonitas para te dizer, bonitas bonitas bonitas, se visitadas do ângulo da mesquinhez humana, da minha mesquinhez, quando observadas de outros ângulos, com ou sem prismas, ângulos que confirmam toda a teoria da relatividade, daí, desses pontos sem ponto, não posso afirmar o quão bonitas serão as coisas bonitas que tenho para te dizer. Tu és um complexo de ângulos sem prismas, não és?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

António...

Estendido numa cova à espera que o ataque acabasse, olhando as hirtas sinhuetas de chapéu alto dos eucaliptos idênticas a fúnebres testemunhas de duelo, de G3 inútil no suor das mãos e o cigarro cravado na boca como palito em croquete, descobri-me personagem de Beckett aguardando a granada de morteiro de um Godot redentor. Os romances por escrever acumulavam-se-me no sotão da cabeça à maneira de aparelhos antiquados reduzidos a um amontoado de peças que eu não lograria reunir, as mulheres com quem me não deitaria ofereceriam a outros as coxas afastadas de rãs de aula de ciências naturais, onde eu não estaria para as esqueartejar com o canivete ávido da minha língua, o filho por nascer constituia apenas a cristalização improvável de uma distante tarde de Tomar...

...de Lobo Antunes

Um dos melhores escritores que algum dia li. Não tenho dúvidas de que será o próximo nobel da literatura.

domingo, 25 de outubro de 2009

Keep the streets empty for me



I laying down, eating snow
My fur is hot, my tongue is cold
On a bed of spider web
I think about to change myself

Fever Ray - Keep the Streets Empty for Me
(Karin Dreijer Andersson dos The Knife)

Alignment

Alinhamento. Em Portugal ainda só nos preocupamos com o alinhamento da direcção nos veículos automóveis. E preocupamo-nos com isso porque um mau alinhamento pode reprovar o carro na inspecção obrigatória. Na Europa central estão muito mais à frente, nada avança sem um alinhamento generalizado. Qualquer pequena decisão requer um alinhamento de todas as partes envolvidas. Esta é a principal diferença entre Europa e Estados Unidos da América. Nos EUA eles decidem na hora, bem ou mal, decidem. Aqui, na Europa, na Europa central, procuramos sempre um alignment. Não se avança sem um alignment. Não se decide sem primeiro se conseguir o dito alignment. O alignment é essencial, está para a decisão como o óleo está para a locomoção ou a baselina para a fricção. É esta pequena diferença entre EU e EUA que gera a grande diferença económica que existe entre os EUA e EU.

Na verdade, verdadinha, a verdadeira tradução da palavra alignment do inglês para o português está longe de ser “alinhamento”, é, se o meu inglês não me falha, “eu não tenho tomates suficientes para decidir e então vou tentar obter um consenso”.

Este é uns dos mais graves problema da Europa: Esta procura do óleo alignment em lugar de abreviar e de tornar todos os processos mais expeditos está a tornar este velho continente numa arrastadeira que nos acabará por fazer perder muitas posições neste ranking da economia mundial. O problema é que esta arrastadeira sai cara se imaginarmos que as decisões que podiam ser tomadas por uma pessoa, no próprio dia, levam meses e envolvem dezenas de outras pessoas caras em busca dos fatais alinhamentos. Estou fartinho de alinhamentos!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Maitê Proença pede desculpas aos Portugueses após ridicularizar Portugal

http://www.youtube.com/watch?v=IK02vLTxRqw

Eu não vejo mal nenhum no vídeo em que a Maité Proença demonstra uma perfeita ignorância do que é a cultura portuguesa e do que é ser português. Até no facto de ela chamar de mouse ao rato do computador, até aí, não vejo argumentos válidos para que os portugueses se sintam ofendidos. Vamos lá ver, a uma mulher bonita desculpam-se sempre os possíveis defeitos. Se ela fosse feia que nem a noite, aí sim, tínhamos que ficar ofendidos com a natureza porque ser-se feio já é suficientemente mau, ser-se feio e ignorante seria, acho, demasiado para uma só pessoa. Assim, aí sim, só aí, nós, os portugueses, teríamos que ficar ofendidos não com a Maité por ser feia e ignorante mas com a natureza por colocar no mundo um ser em tão grande desequilíbrio. A Maité é bonita como o mais bonito dos jardins do éden, que raios! Ser ignorante, neste caso não ofende ninguém e é um problema menor. Eu, quando é assim, quando assim se é bonita, desculpo tudo. Uma mulher bonita como a Maité pode ser ignorante, pode ser arrogante que até lhe fica bem, pode ser burrinha burrinha que não lhe ficando bem não lhe fica muito mal. Não é ofensa. É, do meu ponto de vista, equilíbrio.

A Maité, mesmo assim, sabendo-se bonita como o mais bonito jardim do éden, decidiu pedir desculpa pela sua ignorância, dizendo, “O brasileiro é muito brincalhão. A gente brinca com o nosso presidente. A gente brinca com a própria tragédia”.

Maité, não lhes ligues, o brasileiro é brincalhão, eu também sou um brincalhão jeitoso (aqui dizemos do caraças) e não me importava de brincar aos médicos contigo. Alinhas?

domingo, 18 de outubro de 2009

Over and over again


Eu bem que tentei mas não encontrei coerência alguma na letra desta música. Fica a música e a voz que, para mim, são excelente.
Ah... são os Clap your hands and say yeah.

Transparente

Ser transparente nem é bom nem é mau, é assim-assim. Tornei-me transparente desde que permaneço mais assíduo na Alemanha. Não é bom porque, muitas vezes, nem acenando as pessoas notam a nossa presença. Não é bom e chega, dependendo da personalidade de quem se torna transparente, a ser muito mau. É que, e por mim falo, convenhamos, não é nada bom entrarmos numa loja e sentirmo-nos ignorados pela loira alta e mamalhuda que nos deveria, pelo menos, esboçar um breve sorriso. E a culpa não é delas, é nossa! desta nossa transparência. Já nem falo de entradas em bares onde parasitam todas as grandes marcas de perfumes, sprays, roupas, pós e poses, saltos para todas as alturas, 10% excelentes combinações e os restantes excelentes aberrações, já nem falo dessas entradas que ninguém obriga um transparente a lá entrar. Mas fale-se das lojas e armazéns de comida onde somos obrigados a entrar, fale-se das ruas onde antigamente os olhares se cruzavam e agora passam ceguinhos por nós, fale-se e analise-se como ser transparente nestes casos não é bom e, no meu caso, por uma questão de personalidade como já se disse, chega mesmo a ser muito mau.


Em que é que ser transparente não é mau? Não é mau pois podemos fazer o que nos dá na telha, podemos vestir tudo o que quisermos, podemos despir o que quisermos, poderíamos sair para a rua em boxers não fosse o raio do frio, podemos arrotar que as pessoas vão ouvir mas não vão perceber de onde o arroto saiu.

Nesta minha primeira experiência com a transparência, deixo o meu depoimento que, julgo, ajudará quem a seguir a mim tiver que lidar com ela: se estas coisas das transparências se pudessem controlar eu nem por um segundo me tornaria transparente. Fica o aviso!

Pulseiras de Pandora

Depois das pulseiras da nossa senhora do Bonfim, transportadas com amor do Brasil, por maridos e namorados apaixonados, para com elas trazerem sorte às suas damas que se quedaram por Portugal, materializada na realização de três, apenas três, desejos; Das pulseiras parapsicológicas, que curam toda a espécie de maleitas, de cirroses a dores de coluna, das hemorróides aos joanetes, aquelas em metal com umas esferas na ponta para melhor captarem as ondas hertzianas vindas de outros planetas; Das pulseiras de cores berrantes, em borracha, que lutam contra toda a espécie de injustiça social, Aparecem as pulseiras de Pandora a primeira maior estupidez em termos de adornos de pulsos.


Se as outras pulseiras tentam estupidificar quem tem de conviver e de ouvir as histórias dos seus portadores, as pulseiras de Pandora comprovam a estupidez de quem as usa.

Ora vamos lá ver: A pulseira de Pandora é bonita? Não! A pulseira cura alguma doença, física ou social? Não! A pulseira permite realizar mais desejos que a pulseira do Bonfim? Também não! Então a pulseira de Pandora é apenas cara ainda que paga em prestações de 25 euros por cada miniatura idiota que lá se coloque. Comprar uma pulseira em prestações que toda a gente parece começar a usar e que nem da porra de uns meros calos consegue tratar é pura estupidez ou, como os meus pais costumam dizer quando chego a casa com algum artigo caro, é não ter mais o que fazer ao dinheiro. É a versão que os meus pais usam para me chamarem de estúpido por outras estupidezes mais leves que, às vezes, e por descuido, venho a cometer. A pulseira de Pandora é a maior estupidez.

domingo, 27 de setembro de 2009

Desfiz-me delas

Desfiz-me delas para sempre. Confesso que me custou deixá-las. Elas criaram durante uma longa semana um ambiente de presença constante e fervorante no meu pequeno apartamento. Não é todo o dia que nos apegamos a uma calcinha 89% Nylon, aproveito aqui para corrigir os valores da percentagem onde no primeiro texto se descrevia que a cueca tinha 98% nylon, 8% elastime e 3% cotton o que daria uma cueca marciana de 109%, bem, como dizia, não é todos os dias que nos apegamos desta forma doentia a uma calcinha sem conhecermos a sua dona. Hoje, neste domingo quase solitário, ainda olho para o local onde comodamente elas me observaram e zelaram durante toda uma semana que observada deste ponto foi breve. Tinha que ser, todas as relações começam e acabam, todas, sem excepção, tinha que ser, tento vincar o pensamento no meu ciclo de pensamentos, e quase fico conformado.

Ainda me lembro com se ontem fosse hoje dos passos que dei, dos receios que senti, do cenários que projectei, enquanto as carregava no bolso direito das minhas calças Salsa. Desci ao primeiro andar sem contar as escadas porque fui de elevador e cheguei sem demoras, depois, desci, e aqui não falho, 7 pequenas escadas para me encontrar ao nível da cave onde o pequeno centro de máquinas às vezes opera. Levei comigo outra remessa de roupa para lavar. A máquina, uma apenas, estava em funcionamento o que me levou a deixar o meu saco para mais tarde lá voltar. Meto as mãos ao bolso e sinto-as minhas. Observo pertinentemente que numa das esquinas do pequeno quarto se encontra uma cámara de filmar. Tiro a mão do bolso onde as sentia e levo-a ao queixo dando para a cámara aquele ar de reflexão. E agora, como vou fazer para abandonar aqui as calcinhas sem que mais tarde me venham dizer que me quedei com elas durante uma semana, pensei para com os meus botões sem que obtivesse uma resposta decente. Mantive o ar de reflexão e, talvez, por isso, fez-se luz. O saco de roupa suja estava sobre a mesa entre mim e a cámara e, com um pequeno jeito, qual David Copperfil ou David de Matos (não sei mas ou Coperfil está mal escrito ou o de Matos não é David. Não soa bem), poderia deixar as calcinhas entregues à sua sorte. Se bem o pensei melhor o fiz num movimento rápido mas que me prende o pensamento agora que passam quase 24 horas do facto. Ficaram com o formato da minha mão marcado nelas e elas deixaram o perfume Ariel na minha mão impregnado, uma troca de mimos que para além de justa foi sincera.

Quando regressei ao local, onde não se cometeu crime algum, elas ainda repousavam do meu aperto e a minha mão ainda cheirava a Ariel. Sem mais olhar para elas meti a minha roupa na máquina e prometi a mim mesmo não mais as voltar a observar. As relações só acabam quando não temos que nos prometer a nós mesmos que vamos esquecer, é o que contacto desta minha breve relação. Quando fui pegar a roupa lavada elas ainda lá estavam e foi a primeira vez que entre nós uma promessa foi quebrada.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Casada

Houve quem sugerisse, Pela composição da calcinha é de uma pessoa que gosta de vestir uma roupa mais confortável, tipo a esposa de algum dos senhores que moram aí no prédio... Sabes, há pessoas assim, que se casam!

Vou dormir sobre o assunto.

domingo, 20 de setembro de 2009

Desportista

Acabo de receber alguma informação, iluminação, ou, em inglês, enligthement, sobre o raio das cuecas. Portanto, a composição de Nylon e Elastime com um bocadinho protector em algodão para além de criar uma cueca de boa qualidade torna-a extremamente confortável para fazer desporto. Se analisarmos o site da playtex (http://www.playtex.com/) vemos que não estamos de forma alguma a falar de uma cueca feirex.


Ora, a cueca não tem renda, é um facto, mas, é também um facto que, tirando o Elton Jonh, ninguém vai fazer desporto de cueca de renda. Portanto, se tentar encontrar a dona da cueca arrisco-me a encontrar uma menina que fará jus à proporção divina (1,618) da ponta do dedo do pé até à ponta do cabelo mais comprido.

Vou dormir sobre o assunto.

Já agora...

Já agora, a cueca tem uma etiqueta onde se lê Playtex no entanto a mesma tem aspecto de Feirex. Contituída pelos seguintes filamentos, por ordem de importância ou quantidade, 98% Nylon, 8% Eslastime (que raio é isto?) e 3% Cotton. Cheira a detergente ariel porque foi lavada, no mínimo, duas vezes. Em tamanho EUR tem 36 / 38.
Eu, como não percebo nada de tamanhos, pergunto, acham que vale a pena tentar aferir pelo prédio de quem é a cueca ou simplesmente a deixo ficar na lavandaria. Pelo tamanho visual da cueca tenho a certeza de que não me não apareceria uma senhora 2 X 2.

FDS rico em acontecimentos

As imitações da vida em NY não estão somente na forma que um grupo de pessoas se despe, estão também na forma como outro grupo de outras pessoas se veste. Nas minhas corridas andadas, vi um grupo de noivas numa sessão fotográfica numa linha de comboio abandonada. Deve ficar lindo o cenário nas fotos e a ferrugem dos carris nos vestidos.
Este fds foi rico em novas situações. Fui por a minha roupa a lavar numa máquina comum que existe na cave do edifício, claro que isto não é novo. Após uma hora lá fui retirar a minha roupa para a colocar a secar um pouco distribuída por todo o meu pequeno apartamento. Peça por peça lá fui dependurando a roupa. Estando quase tudo pendurado lá continuo para metendo a mão ao saco e retirando o que restava. Uma cuequinha de senhora branca (a cueca, a senhora ainda não sei de que raça é) aparece na minha mão. A cueca não é minha, é de senhora, como deixem bem vincado na frase anterior. Não costumo coleccionar e muito menos vestir cuecas de senhora. Embora seja um caso estranho, a explicação é, no entanto, simples. A senhora que lavou a roupa antes de mim lá se esqueceu de uma cueca branca dentro da máquina. Agora expliquem-me como se explica esta lógica simples a uma mulher?

Decadência

A decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.

Fernando Pessoa. O Livro do Desassossego.

sábado, 19 de setembro de 2009

Velhinhas: BIGMOUTH STRIKES AGAIN



Sweetness, sweetness I was only joking
When I said I'd like to smash every tooth
In your head
Oh ... sweetness, sweetness, I was only joking
When I said by rights you should be
Bludgeoned in your bed

Velhinhas: Gouge away




sleeping on your belly
you break my arms
you spoon my eyes
been rubbing a bad charm
with holy fingers

Recomendo

Frankfurt --> Praga --> Bratislava --> Budapeste --> Viena --> Frankfurt

Só não recomendo é que o façam em 5 dias. No mínimo, usem de uns 20 dias para terem tempo de apreciarem os grandes dias e as grandes noites que as ditas proporcionam.

Frankfurt

Frankfurt não é NY, nem de longe nem de perto. Frankfurt é Frankfurt. Frankfurt é das cidades mas cosmopolitas da Alemanha mas não é cosmopolita suficiente para ser NY. Vem-me isto ao pensamento sempre que vejo na rua venderem quadros de Frankfurt, que tem, admito, algumas torres consideráveis, misturados com quadros de NY. E colocam-nos lado a lado em quadros de tamanho iguais, como se as torres de Frankfurt fossem equiparáveis às torres de NY ou como se as suas ruas tivessem um movimento equiparável ao de NY. Aqui em Frankfurt sentem-se muito isso, o querer ser como NY. Então vemos alguns bares com nomes como Central Park ou Fithy Four mesmo ao lado do Central Park, parando lá muita gente com bom aspecto e muito mau gosto.
Este fim-de-semana, talvez porque a festa da cerveja esteja mesmo a chegar (para o próximo fds), em Frankfurt vêem-se manifestações quase só concebíveis numa cidade como NY. Junto ao rio, enquanto passeava em passo de corrida a minha gordura, vi vários grupos de pessoas a despirem-se, ficando apenas de roupa interior, eles e elas, alinhando a roupa no chão e fazendo um cordão enorme de corpos quase despidos. Não sei que raio estavam a manifestar mas a quantidade de grades de cerveja vazia que junto à roupa jazia deu para indiciar que ali não seria preciso um grande motivo ou uma grande causa. Era cervejas esverdeadas, é certo, quase psicadélicas, mas deviam ter o mesmo álcool de qualquer cerveja dita normal, loira ou preta.
Em NY também fazem esses jogos ou manifestações de criatividade mas em locais muito mais interessantes. Não é por acaso o Metro de NY ser das coisinhas que mais aprecio naquela cidade. Enquanto aqui, como cordeiros, despem-se em grupo junto ao rio, em NY despem-se no metro, a uma hora combinada é certo, mas como movimentos independentes e espontâneos.
Frankfurt é Frankfurt e nunca será NY porque não é cosmopolita o suficiente. Frankfurt nunca deixará de ser Frankfurt porque ainda tem muito do seu povo.

Motor Show em Frankfurt

Este fim-de-semana e na próxima semana decorrerá em Frankfurt o Motor Show. A analisar pelos últimos movimentos na cidade parece que se vai confirmar mais uma vez o dito popular: Por trás de um grande carro está sempre uma grande mulher.
A ver.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Esbichar

Claro, se comer não agradava a gregos, rilhar não agrada nem a gregos nem a troianos. Experimenta o esbichar, alguém sugeriu.
Assim sendo, onde no início estava comer e depois se substituiu por rilhar, leia-se agora esbichar, onde primeiro se disse comia para depois se dizer rilhava diga-se agora esbichava, onde se arriscou o como para depois se desculpar o rilho, empregue-se agora o esbicho, e por aí fora...

Se soubesse o que sei hoje este blog teria o nome de esbichar, ou esbichadinho.blogspot.com, rais-me-partam!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Comer

Acabam de me repreender dizendo que a palavra comer não me fica muito bem, por isso retiro o que escrevi no texto anterior...
E reponho...
Onde está comer, leia-se rilhar; onde está comia, leia-se rilhava; onde está como, leia-se rilho, e por aí adiante…

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Categoria

Categorizar resulta sempre num processo redutor da verdadeira complexidade, li algures num livro (O cisne Negro de Nassim N. Talec), e pensei que essa redução de complexidade é apenas um co-produto desta necessidade humana de ter a realidade sob controlo, ou, se quisermos usar outros termos, esta necessidade de ver a realidade de forma inteligível ou explicável ainda que se inventem falsas explicações. Então categorizar é, mais do que um processo redutor, a forma que nós, humanos, conseguimos inventar para melhor lidarmos com a realidade. Depois pensei sobre a categoria (ou a pinta) da minha última categorização e na forma como se estraga um texto que no início parecia sincero. Noutro dia no metro descobrir que categorizo as mulheres em 2 grandes grupos, as que comia e as que não comia de todo. Às que não comia não há mais nada a fazer parando aí com alguma categoria a categorização. Às que comia divido em 2 grupos, as que comia mais do que uma vez e as que só comia uma vez. Às que comia só uma vez não se pode fazer mais nada e nem interessa criar aí subcategorias, mas, às que comia mais do que uma vez consegui dividir ainda em mais 2 subgrupos ou subcategorias, as que comia e dormia e as que só comia mas era incapaz de dormir. Pode pensar-se que iria aqui subdividir o grupo das mulheres com quem não conseguia dormir em duas subcategorias, as que não conseguia dormir com medo de ficar sem os rins e as que não conseguia dormir porque simplesmente não consigo dormir com uma mulher que não me traga a paz necessária para eu conseguir dormir, mas não, ao grupo das mulheres a quem só conseguia comer, mais do que uma vez é certo, não há muito a fazer, não consigo dividir mais, a razão para não dormir é sempre a mesma: não me trazem a paz necessária para dormir, já em relação às que comia mais do que uma vez e até conseguia dormir divido ainda em 2 grupos, aquelas a quem comia, dormia e ainda preparava o pequeno-almoço e as outras, as que não me merecem a preparação do pequeno-almoço. Como se sabe em relação às que não me merecem o pequeno-almoço não há muito mais a fazer ou a dividir, já as outras, dividiria em 2 grandes grupos. Dividiria se o metro não acabasse por chegar à estação que fica mesmo em frente à minha casa.
Vou dormir que esta categorização com categoria, ou pinta, está a deixar-me agoniado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mew - Comforting Sounds

Into your house, why don't we share our solitude?

domingo, 6 de setembro de 2009

Não está mal

Ando meio indeciso entre a Scarlett e a Zeta Jones. A Scarlett acabou de ganhar alguns pontos com esta versão do Last Goodbye do Jeff Buckley.
I hate to feel the love between us die
But its over
Just hear this and then I'll go
You gave me more to live for
More than you'll ever know

e tu?

"Eu quero, e tu?"

Fernando Pessoa

Politicians

Nunca como este ano vi tanta juventude candidatar-se às eleições municipais. Os cartazes para as câmaras e juntas de freguesia apresentam pessoas cada vez mais novas. Não me enganarei se disser que 60% a 70% dos candidatos têm idades compreendidas entre os 27 e os 37 anos. Ora, do meu ponto de vista, este facto deve-se a um conjunto de circunstâncias, a 2 movimentos, mais propriamente. Estamos a falar de uma geração que, embora com grande dificuldade, ainda consegue escrever três palavras sem dar um erro, essa geração que colaborará fortemente na construção da geração XK - axo ke e axim ke se xama exa geracao que já aí tá com pernas prá andar, num é?, e que não participou na construção da geração anterior, essa geração dos nossos pais que são os que ainda conseguem escrever e, melhor do que isso, pensar alguma coisinha com pés e cabeça. Se o movimento educacional facilitou a que se chegasse ao ponto de termos 60% de candidatos com idades entre 27-37 anos (facilmente estes senhores saberão preencher um impresso a pedir um salário mínimo para o vizinho que, pobrezinho, tem uma grande doença, um grande garfo nas costas que, vitalício, não o deixa trabalhar), há um outro factor ainda mais determinante neste processo, o facto de termos uma crise que veio para ficar (o que não é mau para quem tem a capacidade de se ajustar), e que trouxe um mundo de oportunidades a toda a gente menos a estes que vemos nos cartazes. Assim, a política passa a ser vista como a oportunidade que a crise lhes roubou, oportunidade essa que se tomará e se executará sem grandes problemas.


Posso enganar-me mas trabalhar numa junta de freguesia não deve ser pêra doce, não pelos maçudos impressos a preencher mas pelo facto de quem ali está não pode fazer mais nada do que preencher esses impressos com exigências ao Estado. Quem para lá vai será o mero dactilógrafo que escreve em palavras pré-formatadas o que o povo do garfo, os velhinhos, as criancinhas, e toda a outra população activa (pouquíssima) a qual o enxurro lhe entrou pela porta dentro, vem ali exigir com palavras não formatáveis.

Estive a ver alguns programas eleitorais de alguns candidatos municipais. É desesperante a falta de criatividade desta geração. Até nos cartazes se dá por essa falta. Por que raio têm todos que aparecer de fato e gravata e com a cara cheia de base? Que mundo preto e branco.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quase hiperestesia

E os teus olhos estavam ali, do outro lado da enorme mesa oval, escondendo do mundo um milhão de verdades, de todas as vezes que suavemente se fechavam, os mesmos olhos que com idêntica suavidade se abriam e nos ofereciam um trilião de outras verdades processadas de cada um dos pequenos milhões de verdades iniciais.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Diario de una ninfomána

Não gosto de espanhóis porque falam alto como a potassa, nem das espanholas que precisam de espátula para tirarem as bases, não gosto de espanhóis em geral porque chamam Las piedras rolantes aos The rolling stones e Las puertas aos The doors, mas gostei muito do filme Diario de una Ninfomána e muito também de toda a banda sonora. Aqui fica uma grande música.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tu disseste

Bom dia… altos e baixos, tenho horas.

Ui, que bom! Já viste que estás a viver no mínimo o dobro? A vida é uma linha recta para alguns miseráveis, 80 monótonos anos de linha recta, 0-----------------------80, no entanto há outros que, como tu, se recusam a aceitar os 80 e a patética vida na linha e então forçam esses altos e baixos. Assim, embora temporalmente, aparentemente sejamos correctos, vivam os mesmo 80 anos, de facto vivem no mínimo o dobro se esticarem a linha dos seus 80 anos de altos e baixos, 0vvvvvvvvvvvvvvvvv80, convertendo-a numa linha recta que vai dos 0 ------------------------------------------------------------------------------ aos 80. Sê então feliz pela vida e a natureza te darem essa extraordinária oportunidade de viveres muito mais! Por isso é que, como dizia no outro, I somehow know that certainty is the first sign that death is arriving.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

For once in your life

Courtney Love

And when you’re gone it gets so cold

I swear I’m too young to be this old

So what do I do

I am dying

E com essa voz exausta e orgásmica, mais orgásmica que exausta, ou exausta de orgasmos, múltiplos e simultâneos, porque os outros não exaustam, esse estado de voz que não tem nada a ver com a exaustão mais simples, a de cansaço ou fadiga, mas essa exaustão de plenitude ejaculada em cada palavra cantada… E esse corpo? que emana sexo por cada um dos seus poros, a cada movimento, singular, o movimento, os poros, o sexo, todos eles puros, esse corpo que se esvai na tua voz não para desaparecer mas para reaparecer numa conjugação ainda mais sensual, nada pornográfica, nem a voz, nem o corpo. E, com essa cara que já foi perfeita, tão bonita, tão ingénua e pura? Tinhas que nos apresentar agora um poema destes?! Diz-me que não foste tu que o escreveste ou irás ter-me para sempre a querer ficar under your skin.

Hole

Our love is quicksand

So easy to drown

They steal the gravity, yeah

From moving ground


Remember, you promised me

I'm dying, I'm dying, please

I want to, I need to be

Under your skin

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Trindade

Sim, cada mulher deveria ter direito a dois homens. Sim, dois, ouviste bem! Ora ora, o quê?! Uma relação com dois homens não querendo dizer que partilhassem os 3 a mesma cama, que nisso de partilhas a 3 a natureza ordena que sejam duas mulheres e um homem, mas dois homens para uma relação mais abrangente. Como assim?! Do tipo, teres um homem para as necessidades sexuais e outro homem para as necessidades mais espirituais ou intelectuais. Sim, tu e essas perguntas retóricas... Estás farta de saber que intelectualidade e sexualidade nunca jogaram na mesma área ou pela mesma equipe. Um intelectual nunca poderá ser muito sexual da mesma forma que um homem sexual nunca dará um grande intelectual. Tem a ver com especialização e nem sequer Darwin anteviu isso na sua “A Origem das Espécies”. Assim, cada mulher deveria ter direito ao homem das copulações e ao homem das orações e divagações que em algumas mulheres representam necessidades com interesse idêntico. Não fiques chocada! Não é verdade que algumas mulheres têm tanta necessidade de sexo como de conversa? Não?! Olha, para copulares, arranja um homem que não se prenda muito com pensamentos. Os pensamentos só atrapalham o sexo. Para as digressões intelectuais, arranja um que pense muito, que pense em tudo, terás conversa garantida para o resto da tua vida. O sexo só interrompe e perturba as boas teorias. É a chamada teoria interrompida. As boas teorias forçam um coito interrompido. Quando O COITADO DE um homem tenta fazer o papel hercúleo de assumir as duas áreas, ouve sempre o irremediável “olha, este não fode nem sai de cima”. Oh my god, por favor, “deslarguem-me”!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Eu disse…

Eu disse: Sabes por que, provavelmente, não poderei ficar contigo? Porque somos consciências actuando num mesmo nível, num mesm estrato, sob um mesmo estado ou condição, e, quando assim é, tornasse-nos difícil a convivência.
Tu disseste: Esse é o verdadeiro motivo para estares, e nunca para não estares. O verdadeiro motivo, serás tu a descobri-lo um dia.
Eu disse: O verdadeiro motivo está todo na minha frase anterior. Numa relação tem que haver deslumbramento ou compaixão. Nenhum desses factores essenciais existe em almas do mesmo género. Explico-te talvez um dia.
Tu, não disseste.

domingo, 2 de agosto de 2009

O armazém de Judeus

Os últimos tempos têm sido férteis em experiências novas. Não estou a falar da experiência “dona de casa” porque essa já está a ficar entranhada no meu dia-a-dia, mas noutras áreas de vivência de que não quero para já falar. Vejamos este fim-de-semana (fds), por exemplo, em que como disse deveria estar em Londres e não em Frankfurt, vejamos de que forma foi rico experiências.
Sábado à tarde passei pela experiência de pagar 250 Euros de multa porque estacionei e abandonei o carro de um amigo (que se encontra em Portugal) num local onde, aparentemente, era proibido estacionar. Como se poderá verificar fiquei com o fds estragado, não pelos 250 euros que paguei ao barrigudo do reboque para ele me devolver o carro mas pelo que os mesmos 250 euros poderiam fazer por mim em Frankfurt. Poderia por exemplo comprar uma boa viola e ainda sobraria dinheiro para jantar, ir a uma boa discoteca e beber uns bons copos.
No sábado, não sei porquê, apanhei bastantes pessoas em Frankfurt a falarem num rico português. Enquanto seguia de metro (de superfície), para dar os 250 euros ao barrigudo do reboque, oiço um caralho e um foda-se em bom português, e, para que dúvida não houvesse de que o casal era do norte de Portugal e não uma qualquer dupla de brasileiros a esforçar um calão português, ouvi, quase como quem remata, um “mor”, de amor. Pus as orelhas em riste para tentar captar sobre o que dialogavam, enquanto traduzia no inglês possível para os alemães que me acompanhavam. Eia, fuoda-se mor!, que caralho é aquilo?, dizia ela com grande admiração. Ele, qual professor que ensina com todo o amor as criancinhas, informou, Aquilo é um armazéns onde armazenavam os Judeus na segunda guerra mundial. Quase que me deu uma coisa má quando ouvi tal ensinamento e fiquei a pensar se deveria parar por ali as traduções. O professor continuou com todo o amor, Sabes, aqui foi o maior alocausto (holocausto, idiota, holocausto!) do mundo e os países mais afectados foram a Polónia e a Holanda. Estava 50% certo o erudito professor ao que ela ia retornando a captação dos ensinamentos com fuoda-ses. Eles ali não matavam os judeus, apenas os armazenavam e depois enviavam-nos para os campos de concentração dizia o professor. Mas mor, cum caralho, dizia ela. Tapei os ouvidos pensei quantas vezes 250 euros seriam necessários para educar um casal em fase de crescimento.
No domingo fui ver o Dalai Lama no arena stadium. Uma desilusão. Não conseguiu captar a atenção dos milhares de pessoas que lá estavam. Para além de conhecimento básico sobre consciência e emoção nada mais disse. Provavelmente não tinha mais nada para dizer. Após longos anos, senti-me novamente na missa dominical. E não era o Dalai Lama que fazia a missa dominical, era o fervor estampado em alguns rostos a faziam. Cada vez mais detesto esta sociedade de enfileirados.

sábado, 1 de agosto de 2009

Joana Amaral Dias

Um dia, quando me candidatar à junta de freguesia como trampolim para uma futura candidatura à câmara municipal que antecederá a minha candidatura ao cargo de primeiro-ministro, também convidarei uma Joana Amaral Dias para se juntar ao movimento, não porque ela tenha demonstrado ser possuidora de umas inteligência, perspicácia e sabedoria por aí além, mas porque ela é bonita e jeitosa pra caraças, e, depois, sabe enquadrar muito bem aquela excelência física na sua forma de vestir. Estranha-se o gosto fashion daquela figura que se diz de esquerda. A sua apetência para a concepção têxtil não me interessa particularmente, a mim que, como já referi, sou mais votado ao despir do que ao vestir, mas, estou certo, a Joana será uma preciosa ajuda no enquadramento de alguns cartazes, outdoors, na distribuição de algumas canetas e aventais, na conjugação de algumas das minhas gravatas com outras tantas camisas, na arrumação do meu guarda-roupas, no ajeitar do meu cabelo, no seleccionar dos perfumes mais atractivo nas lojas mais atractivas e caras, no seleccionar das resmas de papel onde lhe ditarei os discursos, na preparação dos pequenos-almoços nos dias impares pois nos dias pares prometer-lhe-ei prepará-los eu, no planeamento de umas férias ou, por que não, feras, para os dias, semanas, meses pós eleição.
Um dia, quando me candidatar à junta de freguesia, convidarei uma cara linda como a da Joana Dias Amaral, nem que para isso tenha que usar de algum dinheiro da campanha… Minto, se for como a Joana, não me importarei de por dinheiro do meu bolso.

Londres

Este fim-de-semana (fds) deveria estar em Londres. Porquê? Para não quebrar a rotina dos meus últimos tempos: Um fds em Portugal; Um fds em Frankfurt; Um fds numa cidade europeia à escolha. Ora, se o penúltimo fds foi em Portugal, se o último foi em Frankfurt, este deveria ser passado em Londres. Verifico resignado que começo a gostar de Frankfurt ao ponto de não viajar para Londres nem para outro lado qualquer. A cidade de Frankfurt esconde loucuras que a própria loucura desconhece. Londres vai ficar para a próxima rodada. Pago eu!

Raio que me parta

Para que se saiba, quando criei este blog, estava indeciso, não sabia se lhe havia de chamar proraioquemeparta.blogspot.com ou proraioquemaparta.blogspot.com. Um "a" no lugar de um "e" pode fazer toda a diferença. Adoro a língua portuguesa. Língua saborosa!

A motivação humana

Por que me elogias o vestido quando afinal queres é ver-me sem ele, disse, com aquele ar de provocação e inteligência, como se tentasse aferir, ainda que grandes escalas não fossem necessárias, o nível em que se encontrava o meu poder de argumentação. Mas há alguma motivação que faça mexer a massa humana, pergunto-vos, para além desta necessidade de despirmos ou sermos despidos? Eu não a encontro porque não existe coisa alguma para além disso.

domingo, 26 de julho de 2009

Prague

Prague, Czech Republic, 2009

Se em Paris acabamos por tirar fotos aos mesmos locais, todos as vezes que lá pomos os pés; se em Bruxelas encontramos uma miniatura de Paris e as fotos parecem, muitas das vezes, mais uma vez repetidas; Quando tentamos fotografar Praga vemos que ali o vinho é de outra pipa. Por isso mesmo, porque isto sim, diria o fotógrafo, é uma grande pomada, Praga irá merecer-me o tempo de um texto. Não é que o meu tempo seja grande espingarda, mas é o meu tempo, e Praga merece todas as reflexões: as grandes e as pequenas.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Brussel

Brussels, Belgium, 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Versalhes

Paris

Em Paris até os candeeiros foram roubados...

terça-feira, 14 de julho de 2009

15 minutos

Já não escrevo como escrevia, Doem-me as costas, estou cansado, cheiro a cebola ou a ajax limão, quando cheiro a cebola não cheiro a ajax limão e quando cheiro a ajax limão não cheiro a cebola, Ando na rua com a roupa vincadinha, duas vezes, dois vincos, nos lugares onde deveria ter apenas um, e ando nela com a confiança de quem quer vender a ideia de que 2 vincos é fashion e as mãos meias gretadas é muito masculino, e, por tudo isto, ou talvez não, deixei de escrever como escrevia, antigamente, Agora, para ocupar os tempos mortos, durmo que bem preciso, Nos tempos mais vivos, cozinho, lavo a loiça, volto a cozinhar para voltar a lavar a loiça, enxugar, colocar no mesmo armário quase na mesma posição, e volto a cozinhar sempre em pé porque sentado ainda me salta azeite a ferver para os olhos, E, quando não cozinho, Quando não cozinho e são horas de expediente, em que se tem que estar a bulir, também não escrevo, ponho a roupa a lavar e é a parte mais fácil dos meus dias, depois vem o difícil, que é passar a ferro, em pé, mais uma vez, numa mesa de jantar, vivendo 15 absortos minutos em cada camisa, porque não se julgue que é fácil fazer dois vincos quase alinhadinhos na mesma manga, e, refira-se até, ser quase um milagre transformar um ninho numa aproximação de camisa, brunida, Estão brunidas como diz a minha mãe, que é uma santa e nunca se queixou de cozinhar, lavar a loiça, enxugar, por a roupa a lavar e a secar, passar a roupa a ferro para quatro maganões, essa mãe que irá fazer o mesmo para as gerações que por aí virão, depois, Depois sigo com as outras obrigações, ou seja, engraxo os sapatos e os dedos, aspiro o chão e passo-me passando-o a pano, nesta pequena casa sem corredores, e, depois de deixar secar durante alguns minutos, estará pronto a ser serventia para o resto do calçado, Cansado, juro que ando cansado, porque um só dia passa e já há cuecas e meias para lavar, o chão já apresenta indícios de pó sempre que o sol entra mais esquinado, os sapatos já precisam de um toque de graxa, não tem graça, cozinha-se, lava-se a loiça, e arruma-se a mesma no mesmo local, e tenta-se encontrar um mecanismo para se pouparem as camisas porque as putas não se engomam sozinhas, e mais um dia e tenho o chão sem corredores para aspirar e passar a pano, novamente, Já nem faço a cama mas também não cismo que alguém ma ande a fazer, porque não tenho tempo nem para cismar nem para escrever.
(Ando a ler o ensaio sobre a lucidez... e dá nisto)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Forget Her

Jeff Buckley


don't fool yourself

she was heartache from the moment that you met her

my heart is frozen

still as i try to find the will to forget her somehow

oh i think i've forgotten her now

Patience

Micah P Hinson

I'm running out of patience to be fucking with this now you better believe me when I say this now.

sábado, 4 de julho de 2009

Falling Slowly

Glen Hansard and Marketa Irglova

Take this sinking boat and point it home

We've still got time

sábado, 27 de junho de 2009

Rotina

Fui apanhado pela rotina, eu que sempre de forma proactiva lhe fugi. Uma rotina diária e não poderia haver um intervalo temporal mais curto nesta história de rotinas. Rotinas anuais todos as têm e não vem mal nenhum ao mundo por isso: Há a rotina anual das férias e a rotina anual do Natal ou do ano novo, a rotina da Páscoa. Ninguém morre por isso. As rotinas semanais também. Ninguém morre por comprar um jornal semanalmente, no mesmo quiosque no mesmo dia à mesma hora. Agora, rotinas diárias?! Deus nos livre! A rotina diária é o primeiro sinal de que a morte nos acabará por tomar e de que esse fatídico dia está pertíssimo, ao dobrar da esquina, ao descer da cama, ao sair da porta.
Claro que mesmo nestas coisas de rotinas há-as com pinta e sem pinta da mesma forma que na morte há morrer com estilo e sem estilo. Um herói que morre sem levar com ele meia dúzia de estúpidos não é herói, é meio herói, é humano e um herói nunca, mas nunca na vida!, é humano.
Analisar a minha rotina diária tem também feito parte da minha rotina diária e isso dói para caraças! É um feedback! Um eterno retorno. Dói pelo que representa. Dói porque existe o espaço para a análise e porque esse espaço é do mais vazio que pode haver.
Vejamos a minha rotina. Levanto-me cedo porque aqui o sol entra-me pela janela dentro às 5:30 da manhã. Tomo banho, corto a barba, lavo os dentes com uma escova automática durante 2 minutos. Por vezes tomo o pequeno-almoço em casa e até aí há rotina: por vezes sim; por vezes não. Saio e tenho o metro a 20 metros de casa. É lixado, não há espaço para fatalidade ou imprevisto algum. Entro no metro que passa de 10 em 10 minutos e troco para outro na próxima linha que demorará um máximo de 30 minutos. Chego ao escritório meia hora depois. O resto do dia não tem a mínima significância até que chego às 8 horas da noite que na Alemanha é pleno dia. Tempo para ir beber umas cervejas por rotina com um indiano e um britânico. Nunca bebemos uma só cerveja. O meu máximo são duas, o britânico chega às 3 e o indiano pode ir até às 7. Vamos sempre a bares diferentes tentando quebrar a rotina que a cerveja não permite quebrar. Encontramos sempre um ambiente comum: meia dúzia de alemães bêbados e feios, eles de chinelo e meia branca dando aspecto de que partiram os pezinhos, elas vestidas como eles e com um aspecto de provocar a mais irreversível das impotências. Chego a casa meio bêbado meio sóbrio e às vezes cozinho: às vezes sim; às vezes não, e faço sempre higiene antes de dormir. E durmo. Depois acordo e já sei que será a mesma coisa: Não há um átomo de alegria a perturbar a rotina alemã.

Uma questão de tomates

Eu não acho que ela escreva bem. Ela escreve como uma gaja. Simples gaja.
Ela não é como tu. Tu tens o melhor das gajas em termos de escrita, clareza de discurso, frases bem construídas, sensibilidade que os homens não tem, mas depois vais por ai fora e pensas como um homem. E isso é perfeito. Eu acho sinceramente que devias escrever um livro. Tens o melhor das escritoras e dos escritores dentro de ti. Se a parte de escritora te da tudo o que já disse, a do escritor dá-te a criatividade. Os homens são muito mais criativos em termos de escrita. Conseguem criar realidades muito mais saídas do nada. E depois... só se consegue escrever um livro, acho, coçando muito os tomates, não achas? Eu acho mesmo que existe uma relação que é linear quando se compara um livro com as coçadelas dos tomates. Um bom livro deve exigir umas 10.000 coçadelas, no mínimo. As gajas não têm tomates. O máximo que podem fazer e coçarem os tomates de algum(s) homem(s). E não e a mesma coisa. Não se pode ser muito suave nem muito bruto na dita coçadela. O prazer da coçadela depende muito mais, eu diria que uns 80%, de quem tem os tomates. Há os que gostam dela a bruta e os que não. Por isso, aproveita tudo isso, a sensibilidade e clareza do discurso, a criatividade que, como um bom livro, esta directamente relacionada com o número de coçadela. Enfim, aproveita os tomates que tens.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Desenrascar...

Aston escreveu um artigo onde descrevia as 10 palavras mais divertidas de que o idioma inglês mais necessitava. Recorrendo a algumas imagens e a exemplos descreveu o que nos outros idiomas se consegue dizer com uma só palavra. (ver em: em http://www.cracked.com/article_17251_p2.html ). Surpresa das surpresas, a palavra que encabeça essa lista é portuguesa, bem portuguesa, diga-se: Desenrascanço! Desenrascanço que ele fez o favor de escrever sem cedilhas porque os teclados britânicos e americanos não nos permitem esse luxo.
Desenrascanço. Claro que em Portugal até um miúdo de 5 anos sabe o que significa o desenrascanço. O Xiquinho só tem que chegar a casa e dizer ao pai que o Manel lhe bateu, ao qual o pai lhe ordenará: Olha, desenrasca-te!
Isto, sim, é educação. É muito português. É todo nosso.
O artigo diz que enquanto eles, o resto do mundo, eram ensinados a estarem preparados, em Portugal ensina-se o desenrascanço nas escolas e na tropa. E não é que é verdade?! Depois continua descrevendo que desenrascanço é o fazer de MacGiver, essa capacidade de encontrar uma solução para todos os problemas no último minuto, uns segundos antes de a bomba explodir, se quisermos dar mais emoção a esse artigo.
Embora a associação deste atributo aos portugueses não me tenha ajudado em nada na minha aventura profissional, uma vez que sendo eu um português que não se renega tenho sempre que provar o dobro quando comparado com um francês, holandês, alemão ou inglês, o autor do texto dá-lhe até uma valorização muito positiva, concluindo: Não se riam do desenrascanço português pois foi à custa dele que um dia conseguiram edificar um império que se estendia do Brasil às Filipinas. E fecha com este entusiasmo: “Fuck Preparation. They have desenrascanco”.
Houve três grandes portugueses, pelo menos, que conseguiram descrever, cada um à sua maneira, em prosa ou em verso, o ser-se português e o que isso representa para o mundo em termos de potencialidades para a resolução das suas grandes questões e conflitos permanentes. No fundo todos eles eram apologistas deste desenrascanço, apenas lhe chamavam nomes diferentes. Camões descreveu brilhantemente a inspiração dos portugueses que ofereceram ao mundo o oceano e que lhe iriam oferecer um dia o quinto império. A inspiração é coisa que não se planeia, aparece no último segundo. Desenrasca-se, digamos assim. Mais tarde, Fernando Pessoa, com toda a sua imprevisibilidade e personagens, falou também de um quinto império só ao alcance de um Povo, o Povo português. Agostinho da Silva, por último, chegou mesmo a dizer que a missão de Portugal e dos portugueses é sacralizar o universo. Porque o ando a revisitar vou colar aqui um excerto de uma entrevista dada por AS a Vitor Mendanha. AS diz assim: “O português, em situações difíceis, aparece como capaz de apresentar uma solução de que ninguém se tinha lembrado e perante a qual os outros povos até recuaram, por parecer não existir qualquer espécie de solução. Do português há a esperar tudo e haver um povo no Mundo do qual tudo há a esperar parece-me ser uma coisa extraordinária… Gostaria muito que o Povo português se especializasse no imprevisível”.
O dono do artigo que coloca o desenrascanço português no top 10 das palavras que mais falta fazem ao idioma inglês, se tivesse lido um dos 3 nomeados acima, em lugar de concluir no passado passaria também a rematar mais ou menos assim no futuro: Não se riam, será à custa deste desenrascanço que os portugueses oferecerão ao mundo um quinto império fora das rédeas do tempo e do espaço.
Eu sei… Com miséria política, social, económica que se instalou no país fica até difícil de acreditar. Mas, Portugal, é “o ser-se português”, e ser-se português pode-se ser em qualquer lugar do mundo. Eu acredito no quinto império, para lá da quarta dimensão espaço-tempo!

Tudo se vende?

Na internet tudo se vende, tudo mesmo. A empresa de vendas na web, Ebay, está por detrás da façanha que pretendo descrever. Alguém decidiu vender uma vida. Se esse alguém tivesse dito pretender vender “a sua própria vida” poderíamos pensar que ele estaria disposto a morrer se houvesse quem pagasse por isso, mas não, Muito pelo contrário, o indivíduo do site http://www.alife4sale.com/ decidiu vender uma vida, a dele, a que ele vivia, não para morrer mas, e como ele próprio diz, para com o dinheiro que derem pela vida que tem “entrar no comboio sem ideia alguma para onde ir” e ir, em frente, sem reserva. Enfim, decidiu vender a a vida para começar a viver uma outra.
Então pergunta-se-lhe, o que é vender uma vida?
Ele responde: “Tudo. O meu estilo de vida, a minha casa, o meu carro a minha motorizada, o meu trabalho, os meus amigos. Tudo o que eu possuo, e todas as coisas que, embora não as possuindo, constituem uma parte importante da minha vida”.
A mulher, constatei, já não a poderia vender porque ela tomou a iniciativa de sair do cabaz um pouco antes, e, como ele mesmo disse, foi essa a principal razão para colocar à venda uma vida, a vida que, embora sendo muito boa, não quer mais ser o dono.
A ideia de vender uma vida por atacado é soberba, convenhamos. Em lugar de a vender, digamos, peça por peça, armário por armário, a retalho, o autor pretendia vender tudo como se de um cabaz se tratasse, não perdendo tempo, o tempo que inevitavelmente existiria entre a venda de cada “artigo” corpóreo ou incorpóreo. O mais hilariante é que Ian Usher, assim se chama o senhor, conseguiu mesmo vender o seu cabaz “uma vida” no dia 29 de Junho de 2008.
A sua nova vida, a que ele vai comprando com o dinheiro que a outra vida lhe rendeu, pode ser seguida agora em http://www.100goals100weeks.com/. Se a sua velha vida foi excelente muito melhor é a sua nova vida, mas não é desta nem da outra que eu gostaria de falar. Há pessoas capazes de vender a própria mãe, este vendeu, inteligentemente, uma vida, que era a sua. É sobre a venda que quero falar.
Agora, analisemos, seria a vida magnífica que ele tinha o que o desgostava? Não me parece. Não era a vida o objecto do qual ele se queria desfazer mas apenas do acesso à memória que tinha da sua vida. Teria Ian tentado primeiro, mas sem sucesso, vender a sua memória? Quem lhe comprou a vida não se tornou dono da sua memória, e era da memória que ele se queria livrar. Como nos diz Krishnamurti, o pensamento só existe porque existe memória. Então, duvido eu, o “penso logo existo” de Descartes deve tão simplesmente ser reduzido na abstracção a um “penso logo tenho memória”. Será o “tenho memória logo existo” uma conclusão válida? ou é o acesso a essa memória, essa actividade de aceder e posterior criar e recriar de imagens, esse “pensar”, que permite concluir sobre a existência? Sem memória seremos ninguém?
A memória é sempre “passado”, é sempre preconceito, é sempre hábito e costume. Será possível vendermos a nossa memória? Eu não me importarei de vender a minha se me assegurarem essa possibilidade, se me garantirem que é vendável, que há por aí alguém disposto a comprar, a tornar-se dono dela, da minha memória e do meu preconceito. Não me importarei até de a dar, em favor da criatividade. Só se é verdadeiramente criativo e inovador em momentos sem passado. Eu, feliz ou infelizmente, não tenho memória de ter tido um momento assim.

sábado, 23 de maio de 2009

Amor de Perdição

Acabei de ler o Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco. Sim, ouviram bem, não foi de reler o dito romance mas de o ler pela primeira vez. Eu sei, é vergonhoso, e então em Portugal é tão vergonhoso que nem se fala! Mais vergonhoso seria escrever, como boa gente o faz, que acabei de reler o Amor de Perdição. Em Portugal já não se lê, só se relê. Acontece com tudo, do principezinho que ninguém acima dos 15 lê, só relê, passando por qualquer clássico que é até pecado dizer-se que se está a ler em lugar de se estar reler, acabando nos menos clássicos. É claro que se a literatura for considerada cor-de-rosa, aí já ninguém lê nem relê. O que acontece em relação à releitura também se verifica na televisão ou cinema. Ninguém vê grandes séries em DVD, só se revê. Já fui várias vezes crucificado por assumir que quero ver a serie seinfeld em DVD. O seinfeld não se vê, revê-se.
Bom, apesar da vergonha que neste caso é ler, gostei de o fazer em relação ao dito romance e fiquei até severamente surpreendido pelo mesmo ter sido escrito, segundo o autor, em 15 dias! É que, se por um lado, quinze dias é o tempo que algumas pessoas que hoje saem da universidade precisam para escreverem um simples correio electrónico sem muitos erros, por outro, os mesmos 15 dias não deram ao autor espaço para que este se perdesse em descrições e floreados banais sobre as quecas que Simão Botelho deveria ter dado e não deu - e já lá vamos ao resumo deste grande romance com Simão como protagonista -, tornando-o assim numa obra sublime.
O romance parte de uma base que não é possível no nosso tempo. Os telemóveis, por um lado, a sociedade monogâmica só de papel, por outro, o respeitinho aos pais que agora não existe, etc, impossibilitavam a história que se resume ao seguinte: Simão é o homem que tem ao seu redor (ou quase) duas mulheres jeitosas que gostam dele de forma idêntica – sob a forma de amor. A Mariana que o nome como o carácter não lhe permitem um diminutivo e, a menina Teresinha que, em algumas fases do romance, aparece tão diminuída quanto o seu nome. No final morrem todos, como seria de esperar, e é que, tristezas das tristezas, nem uns beijos trocaram! É história possível só naquele tempo. Hoje uma chamadinha de telemóvel ou mesmo o recurso à internet deitariam tudo a perder e a falha de comunicação que em grande parte justificou o desfecho trágico romance não poderia acontecer, o mesmo seria dizer, que com telemóvel não haveria romance ou pelo menos um romance com o impacto que este teve na altura. A relação entre pais e filhos era como nenhum dos jovens de hoje com menos de 20 anos consegue sequer imaginar: De respeitinho! Fugir com a filha de outrem é coisa aguerrida de século XX ou XXI. Até o raio das freiras eram naquele tempo mais porreiras e condescendentes com pessoas dadas ao amor entre homens e mulheres.
Para dificultar ainda mais uma história como aí se descreve, temos a monogamia que hoje só se assina no papel e não no coração. Simão achava que amava a Teresinha e as circunstâncias (o pai da menina) não o deixavam alcançá-la. Por outro lado tinha a Mariana ali à distância de um dedo e que o amava incondicionalmente e de corpo inteiro, como a Teresinha, e não lhe ousou sequer tocar nos cabelos (burro!) porque o seu amor já estava, digamos, como que destinado. Hoje em dia já não se ama assim, nem de coração, nem de mente e muito menos de corpo. A sociedade monogâmica de hoje não permitiria um amor de perdição como antigamente.

Chegada

Porque desta vez me saía directamente do bolso, aluguei o quarto num dos hotéis mais baratos do círculo, onde, ainda assim, anunciavam 100 anos de história. Era um hotel com bom aspecto na sua página Web (não é de estranhar pois na Web até pessoas feias têm um aspecto divino e apetecível). À chegada verifico pelas pinturas nas paredes das zonas partilhadas que, de facto, é um hotel com 100 anos. Queria pensar nos 100 anos de cópulas que aqueles quartos distribuídos por 4 andares teriam para esconder, mas, aquelas pinturas, só me traziam à cabeça um século de gente que ali morreu. Entrei no quarto imaginando-o lúgubre, feio e frio mas, como de costume, as primeiras aparências das áreas comuns tinham-me iludido – acontece também com as pessoas, a aparência das áreas comuns dissimulam o pormenor. O quarto era aconchegante, com cores que nos transportavam a uma calma celeste. Todos os meus pensamentos sobre gente morta e séculos de copulação fortuita apagaram-se do meu ainda pequeno cérebro. O quarto era pequeno, pequeno demais para alguém ali morrer, e, a calma das cores dizia-me que, se cópula algum dia ali houve, foi cópula com sentimento e isso não é copulação, é amor.

Wisbaden, Germany, 2009

Não, esta não foi a chegada, ainda, ao raio que me parta. Até porque nem é o raio que me parte que me move, mas o que vem depois dele.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Availability to share love

- What do you want from me?!
Is this a reasonable question after all these 3 years? he said.
- Just answer me, for the love of god!
As If the word love was enough to stop the entire movement in the Earth, he replied: Well... I just want your availability to share love.
He still believes the love without any action is enough. He is an idiot. He is, as she uses to say, a "Rapaj du campo, a figlio da puta, a caraglio, a fucking jack ass"!

sábado, 9 de maio de 2009

O raio que me parta!

Como iremos ver, o raio que me parta é apenas um estado. Se eu tivesse muito dinheiro iria para o raio que me parta! Porquê? Porque o raio que me parta é porta única com senha única para o estado seguinte. E é para o estado que vem depois do raio que me parta que a humanidade inconsciente avança. Então, se tivesse muito dinheiro iria (sem qualquer dúvida) para o raio que me parta.