sábado, 23 de maio de 2009

Amor de Perdição

Acabei de ler o Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco. Sim, ouviram bem, não foi de reler o dito romance mas de o ler pela primeira vez. Eu sei, é vergonhoso, e então em Portugal é tão vergonhoso que nem se fala! Mais vergonhoso seria escrever, como boa gente o faz, que acabei de reler o Amor de Perdição. Em Portugal já não se lê, só se relê. Acontece com tudo, do principezinho que ninguém acima dos 15 lê, só relê, passando por qualquer clássico que é até pecado dizer-se que se está a ler em lugar de se estar reler, acabando nos menos clássicos. É claro que se a literatura for considerada cor-de-rosa, aí já ninguém lê nem relê. O que acontece em relação à releitura também se verifica na televisão ou cinema. Ninguém vê grandes séries em DVD, só se revê. Já fui várias vezes crucificado por assumir que quero ver a serie seinfeld em DVD. O seinfeld não se vê, revê-se.
Bom, apesar da vergonha que neste caso é ler, gostei de o fazer em relação ao dito romance e fiquei até severamente surpreendido pelo mesmo ter sido escrito, segundo o autor, em 15 dias! É que, se por um lado, quinze dias é o tempo que algumas pessoas que hoje saem da universidade precisam para escreverem um simples correio electrónico sem muitos erros, por outro, os mesmos 15 dias não deram ao autor espaço para que este se perdesse em descrições e floreados banais sobre as quecas que Simão Botelho deveria ter dado e não deu - e já lá vamos ao resumo deste grande romance com Simão como protagonista -, tornando-o assim numa obra sublime.
O romance parte de uma base que não é possível no nosso tempo. Os telemóveis, por um lado, a sociedade monogâmica só de papel, por outro, o respeitinho aos pais que agora não existe, etc, impossibilitavam a história que se resume ao seguinte: Simão é o homem que tem ao seu redor (ou quase) duas mulheres jeitosas que gostam dele de forma idêntica – sob a forma de amor. A Mariana que o nome como o carácter não lhe permitem um diminutivo e, a menina Teresinha que, em algumas fases do romance, aparece tão diminuída quanto o seu nome. No final morrem todos, como seria de esperar, e é que, tristezas das tristezas, nem uns beijos trocaram! É história possível só naquele tempo. Hoje uma chamadinha de telemóvel ou mesmo o recurso à internet deitariam tudo a perder e a falha de comunicação que em grande parte justificou o desfecho trágico romance não poderia acontecer, o mesmo seria dizer, que com telemóvel não haveria romance ou pelo menos um romance com o impacto que este teve na altura. A relação entre pais e filhos era como nenhum dos jovens de hoje com menos de 20 anos consegue sequer imaginar: De respeitinho! Fugir com a filha de outrem é coisa aguerrida de século XX ou XXI. Até o raio das freiras eram naquele tempo mais porreiras e condescendentes com pessoas dadas ao amor entre homens e mulheres.
Para dificultar ainda mais uma história como aí se descreve, temos a monogamia que hoje só se assina no papel e não no coração. Simão achava que amava a Teresinha e as circunstâncias (o pai da menina) não o deixavam alcançá-la. Por outro lado tinha a Mariana ali à distância de um dedo e que o amava incondicionalmente e de corpo inteiro, como a Teresinha, e não lhe ousou sequer tocar nos cabelos (burro!) porque o seu amor já estava, digamos, como que destinado. Hoje em dia já não se ama assim, nem de coração, nem de mente e muito menos de corpo. A sociedade monogâmica de hoje não permitiria um amor de perdição como antigamente.

Chegada

Porque desta vez me saía directamente do bolso, aluguei o quarto num dos hotéis mais baratos do círculo, onde, ainda assim, anunciavam 100 anos de história. Era um hotel com bom aspecto na sua página Web (não é de estranhar pois na Web até pessoas feias têm um aspecto divino e apetecível). À chegada verifico pelas pinturas nas paredes das zonas partilhadas que, de facto, é um hotel com 100 anos. Queria pensar nos 100 anos de cópulas que aqueles quartos distribuídos por 4 andares teriam para esconder, mas, aquelas pinturas, só me traziam à cabeça um século de gente que ali morreu. Entrei no quarto imaginando-o lúgubre, feio e frio mas, como de costume, as primeiras aparências das áreas comuns tinham-me iludido – acontece também com as pessoas, a aparência das áreas comuns dissimulam o pormenor. O quarto era aconchegante, com cores que nos transportavam a uma calma celeste. Todos os meus pensamentos sobre gente morta e séculos de copulação fortuita apagaram-se do meu ainda pequeno cérebro. O quarto era pequeno, pequeno demais para alguém ali morrer, e, a calma das cores dizia-me que, se cópula algum dia ali houve, foi cópula com sentimento e isso não é copulação, é amor.

Wisbaden, Germany, 2009

Não, esta não foi a chegada, ainda, ao raio que me parta. Até porque nem é o raio que me parte que me move, mas o que vem depois dele.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Availability to share love

- What do you want from me?!
Is this a reasonable question after all these 3 years? he said.
- Just answer me, for the love of god!
As If the word love was enough to stop the entire movement in the Earth, he replied: Well... I just want your availability to share love.
He still believes the love without any action is enough. He is an idiot. He is, as she uses to say, a "Rapaj du campo, a figlio da puta, a caraglio, a fucking jack ass"!

sábado, 9 de maio de 2009

O raio que me parta!

Como iremos ver, o raio que me parta é apenas um estado. Se eu tivesse muito dinheiro iria para o raio que me parta! Porquê? Porque o raio que me parta é porta única com senha única para o estado seguinte. E é para o estado que vem depois do raio que me parta que a humanidade inconsciente avança. Então, se tivesse muito dinheiro iria (sem qualquer dúvida) para o raio que me parta.