quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Comer

Acabam de me repreender dizendo que a palavra comer não me fica muito bem, por isso retiro o que escrevi no texto anterior...
E reponho...
Onde está comer, leia-se rilhar; onde está comia, leia-se rilhava; onde está como, leia-se rilho, e por aí adiante…

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Categoria

Categorizar resulta sempre num processo redutor da verdadeira complexidade, li algures num livro (O cisne Negro de Nassim N. Talec), e pensei que essa redução de complexidade é apenas um co-produto desta necessidade humana de ter a realidade sob controlo, ou, se quisermos usar outros termos, esta necessidade de ver a realidade de forma inteligível ou explicável ainda que se inventem falsas explicações. Então categorizar é, mais do que um processo redutor, a forma que nós, humanos, conseguimos inventar para melhor lidarmos com a realidade. Depois pensei sobre a categoria (ou a pinta) da minha última categorização e na forma como se estraga um texto que no início parecia sincero. Noutro dia no metro descobrir que categorizo as mulheres em 2 grandes grupos, as que comia e as que não comia de todo. Às que não comia não há mais nada a fazer parando aí com alguma categoria a categorização. Às que comia divido em 2 grupos, as que comia mais do que uma vez e as que só comia uma vez. Às que comia só uma vez não se pode fazer mais nada e nem interessa criar aí subcategorias, mas, às que comia mais do que uma vez consegui dividir ainda em mais 2 subgrupos ou subcategorias, as que comia e dormia e as que só comia mas era incapaz de dormir. Pode pensar-se que iria aqui subdividir o grupo das mulheres com quem não conseguia dormir em duas subcategorias, as que não conseguia dormir com medo de ficar sem os rins e as que não conseguia dormir porque simplesmente não consigo dormir com uma mulher que não me traga a paz necessária para eu conseguir dormir, mas não, ao grupo das mulheres a quem só conseguia comer, mais do que uma vez é certo, não há muito a fazer, não consigo dividir mais, a razão para não dormir é sempre a mesma: não me trazem a paz necessária para dormir, já em relação às que comia mais do que uma vez e até conseguia dormir divido ainda em 2 grupos, aquelas a quem comia, dormia e ainda preparava o pequeno-almoço e as outras, as que não me merecem a preparação do pequeno-almoço. Como se sabe em relação às que não me merecem o pequeno-almoço não há muito mais a fazer ou a dividir, já as outras, dividiria em 2 grandes grupos. Dividiria se o metro não acabasse por chegar à estação que fica mesmo em frente à minha casa.
Vou dormir que esta categorização com categoria, ou pinta, está a deixar-me agoniado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mew - Comforting Sounds

Into your house, why don't we share our solitude?

domingo, 6 de setembro de 2009

Não está mal

Ando meio indeciso entre a Scarlett e a Zeta Jones. A Scarlett acabou de ganhar alguns pontos com esta versão do Last Goodbye do Jeff Buckley.
I hate to feel the love between us die
But its over
Just hear this and then I'll go
You gave me more to live for
More than you'll ever know

e tu?

"Eu quero, e tu?"

Fernando Pessoa

Politicians

Nunca como este ano vi tanta juventude candidatar-se às eleições municipais. Os cartazes para as câmaras e juntas de freguesia apresentam pessoas cada vez mais novas. Não me enganarei se disser que 60% a 70% dos candidatos têm idades compreendidas entre os 27 e os 37 anos. Ora, do meu ponto de vista, este facto deve-se a um conjunto de circunstâncias, a 2 movimentos, mais propriamente. Estamos a falar de uma geração que, embora com grande dificuldade, ainda consegue escrever três palavras sem dar um erro, essa geração que colaborará fortemente na construção da geração XK - axo ke e axim ke se xama exa geracao que já aí tá com pernas prá andar, num é?, e que não participou na construção da geração anterior, essa geração dos nossos pais que são os que ainda conseguem escrever e, melhor do que isso, pensar alguma coisinha com pés e cabeça. Se o movimento educacional facilitou a que se chegasse ao ponto de termos 60% de candidatos com idades entre 27-37 anos (facilmente estes senhores saberão preencher um impresso a pedir um salário mínimo para o vizinho que, pobrezinho, tem uma grande doença, um grande garfo nas costas que, vitalício, não o deixa trabalhar), há um outro factor ainda mais determinante neste processo, o facto de termos uma crise que veio para ficar (o que não é mau para quem tem a capacidade de se ajustar), e que trouxe um mundo de oportunidades a toda a gente menos a estes que vemos nos cartazes. Assim, a política passa a ser vista como a oportunidade que a crise lhes roubou, oportunidade essa que se tomará e se executará sem grandes problemas.


Posso enganar-me mas trabalhar numa junta de freguesia não deve ser pêra doce, não pelos maçudos impressos a preencher mas pelo facto de quem ali está não pode fazer mais nada do que preencher esses impressos com exigências ao Estado. Quem para lá vai será o mero dactilógrafo que escreve em palavras pré-formatadas o que o povo do garfo, os velhinhos, as criancinhas, e toda a outra população activa (pouquíssima) a qual o enxurro lhe entrou pela porta dentro, vem ali exigir com palavras não formatáveis.

Estive a ver alguns programas eleitorais de alguns candidatos municipais. É desesperante a falta de criatividade desta geração. Até nos cartazes se dá por essa falta. Por que raio têm todos que aparecer de fato e gravata e com a cara cheia de base? Que mundo preto e branco.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quase hiperestesia

E os teus olhos estavam ali, do outro lado da enorme mesa oval, escondendo do mundo um milhão de verdades, de todas as vezes que suavemente se fechavam, os mesmos olhos que com idêntica suavidade se abriam e nos ofereciam um trilião de outras verdades processadas de cada um dos pequenos milhões de verdades iniciais.