Mostrar mensagens com a etiqueta Traços da existência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Traços da existência. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Vimágua Virtual

To: vimagua@vimagua.pt, 22 Julho 2014

Caros senhores,

Recebi um ofício de vossa parte para pagar o serviço de saneamento que não pedi (assunto para debater noutra altura mais própria). Entretanto já regularizei a situação e estou a pagar em prestações esse "serviço".
Fui informado de que terei que ligar agora a minha fossa séptica à vossa rede. Quero então efectuar essa ligação mas não consigo localizar o vosso receptor na estrada que foi entretanto alcatroada. Não tenho o número de contracto comigo mas queria deixar-vos a minha morada para que, logo que possam, se dirijam ao local para marcarem na estrada onde fica o receptor. Só depois dessa marcação de vossa parte poderei efectuar a dita ligação à rede conforme requerido por vossas excelências.

Morada:
xxxx

Obrigado,

---

To: vimagua@vimagua.pt, 3 Outubro 2014

Caros Senhores,

Na ausência de resposta ao pedido/mail do dia 22.07.2014, venho por este meio pedir-lhes, por gentileza, que me respondam a este mail, mais um pedido, desta vez, como irão entender, de muito  mais fácil concretização.

Gostaria que me indicassem um conjunto de 10 palavras que eu possa usar para classificar o vosso trabalho/serviço sem vos ofender muito. Acham que me conseguem responder com esse conjunto? 10 palavras pode, à partida, parecer muito, mas, compreendam, por favor, que para me dedicar a tamanha empresa preciso de alguma flexibilidade no vocabulário. Assim estas 10 palavras tornam-se, do meu humilde ponto de vista, no número ideal para ambas as partes, não concordam?

Por exemplo, irei querer dizer-vos que o vosso serviço, pago a preço de ouro, está ao nível do que pior há no pior dos terceiros-mundo. Melhor, quererei dizer-vos que o vosso serviço é muito pior que o serviço de qualquer empresa, pública ou privada, do terceiro-mundo pois, nesse terceiro-mundo, não são faustosamente providos de tecnologia e infraestrutura como vossas excelências são.  Isto é, o vosso serviço é ainda mais baixo que um não serviço. O vosso serviço faz-nos perder tempo. Prejudica-nos. Dá para entender o que quero dizer? Então agora, por gentileza, enviem-me as tais palavras para que vos possa dizer tudo isto sem vos magoar muito.

Obrigado.

Entretanto, quando vossas excelências acharem por bem, respondam-me ao mail em baixo. Até lá, deixarei de pagar o acordo (acordo forçado pela vossa comitiva) número: xxxxx. Ah... O meu número de cliente, forçado também, pois só pessoas muito masoquistas ou com falta de alternativa, quererão fazer parte do vosso portefólio de clientes, é: xxxxxx; Conta: xxxxxx.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Quântico


A vida também se faz das escolhas que não se fizeram e das decisões que não se tomaram. Dói muito menos assim... só que dói para todo o sempre.

domingo, 19 de junho de 2011

Quem escorrega também cai

Quem caiu também escorregou
Mogwai - Yes, I am a ling way from home

Há provérbios e provérbios, como há ditos e ditos, uns válidos e comprovados pela experiência e outros onde a validade é dúbia ou, no mínimo, discutível. Ora o quem “escorrega também cai” era um dos ditos que eu considerava pouco aplicável à realidade. Quem escorrega, dizia, pode ainda assim não cair.

Acabo de me certificar que cheguei há muito à idade em que quem escorrega cai, definitivamente. Será que os provérbios têm um aplicação por escalões etários? do tipo, até ao 35 anos quem escorrega pode ainda assim não cair, depois dos 35  quem escorrega também cai, será? sei lá!

Eu acho que é como digo.

Faz 3 semanas que escorreguei e caí duas vezes seguidas enquanto preparava uma, como na minha terra se diz, frangalhada para os amigos. Para além de o facto de as escorregadelas serem de uma forma tal – forma tal para a minha idade - que não pude evitar cair, ao contrário do que me acontecia nos tempos em que a minha condição me dava uma agilidade que me permitia evitar o tombo mesmo a 5 centímetros de chegar ao chão, constatei ainda outro facto que me permite afirmar que cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou”, uma bela forma de dizer que nesta idade não nos podemos dar ao luxo de cair por cair ou cair pelo sabor da experiência. Cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou” ou à idade em que não se nos é permitido cair.

Quando se tem 15 anos, aparecer a coxear na frente dos amigos e amigas é um sinal de valentia. Aí as mazelas provocadas por uma queda são estimadas, cultivadas, fingidas e prolongadas até ao ponto em que os outros nos continuam a olhar como quem olha um rebelde, um herói, um guerreiro acabado de conquistar a guerra. É esse olhar de fascínio dos outros que faz com que as escorregadelas possam ser com ou sem queda, sobre o nosso desígnio e controlo. Somos uma espécie de pequenos deuses das escorregadelas. O mundo e a natureza aí são perfeitos, caímos e levantamos tantas vezes quantas nos der na gana. Recuperar de um entorse faz-se em menos de um dia, com ou sem gelo, com ou sem erodoide(?), o corpo facilmente se transforma de uma máquina de força e agilidade numa fábrica de produção de antinflamatórios. É deslumbrante e  belo.

Quando se chega à minha idade, uma pequena queda provoca o maior dos danos. Os seguros de saúde e acidentes pessoais passam a fazer todo o sentido, e deviam ser mais caros e obrigatórios. Primeiro, é limpinho que “quem escorrega também cai”, segundo, à “primeira quem quer cai à segunda só cai quem quer” passa a ser uma máxima claramente falsa, terceiro, o “levanta-te e anda” da época de Jesus passa a ser completamente impossível na idade dos que não podem sequer escorregar. E isto passa a ser válido para todos os aspectos da nossa vida, dos mais físicos aos mais espirituais.

Se aparecemos a coxear os olhares de quem não nos conhece passam a transmitir um sentimento que nada tem a ver com fascínio. Quando aos 15 nos sentimos os heróis, depois dos 35 passamos a sentirmo-nos deficientes, manquinhos, coitadinhos. Enquanto aos 15 se cura um entorse em menos de 24 horas, depois dos 35 pode levar meses a curar, pior, para não forçarmos a dor acabamos por magoar  todas as outras articulações. É uma bola de neve. Comigo começou com um pequeno entorse que logo passou a dores fortes no joelho, as dores na anca vieram logo a seguir e as costas já começaram as manifestações de desconforto. Quando se escorrega depois dos 35, não há nada a fazer. Parar é o único, demorado e incerto remédio. Fisicamente funciona assim: poucas coisas funcionam, mas há pelo menos ainda a incerteza da recuperação. Na outras áreas é trinta vezes pior, a certeza de que jamais nos levantamos é muito maior. Eu, que afirmo que a calma e a certeza são os sinais mais importantes de que a morte está perto, detesto as escorregadelas, porque me dão a certeza da queda e me lembram cada vez mais as dificuldades de me levantar.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dubai: Rattel Snake 2

(quase em acordo com o acordo ortográfico)

Não tiro nem uma vírgula ao que já aqui disse sobre o Rattel Snake: É um ponto de encontro onde se vende cerveja cara. Mas, agora que já sou considerado cliente habitual da loirinha Heineken, venho aqui fazer um reparo mais que necessário, necessaríssimo, sócio!... é que não conseguiria dormir em paz caso não despendesse de algum tempo a discorrer esta ressalva.

Aquele bar é como uma zona de caça (caça ou caca?) desportiva em que o caçador para além de pagar para entrar tem que negociar com o coelho como este se deve posicionar para levar o tiro.  Ora ora ora!, não há nada que me irrite mais do que negociatas, sejam elas de que tipo forem!

Tem a ver com paciência. Eu não a tenho, definitivamente. Assim, acho que a frase “tem haver com paciência” passa a ter que ser considerada como uma frase em português correcto. Em português, correto?

Como estava a dizer, tem a ver com paciência. Um caçador entra na zona de “caca desportiva” para dar uns tiros, fazer movimentos rápidos, caminhar atrás das presas, jogar às escondidas com os arbustos, correr, fazer jogos de cintura que estremecem as mais superficiais hérnias, expelir adrenalina, expurgar suor e frustração, libertar gases, desviar os slipes do rego com movimentos de anca enquanto se tira retira e recalca o macaco do nariz com o dedo mais mindinho, coçar a virilha, e começar a corrida de novo, para o arbusto seguinte, não mais que duas vezes seguidas que a marmita atempadamente preparada pela senhora no dia anterior já está esquentar. Ora, agora imaginem que chega um caçador ao recinto e tem que estar ali a ouvir o coelho a dissertar sobre as leis da caça?! E é que eles não se limitam a palrear sobre como está o tempo e o estado do mar, vão mais longe, irritantemente mais longe, elogiam sem propriedade as artes do caçador, exageram no texto e arriscam no conteúdo, dizem sobre a pontaria da mesma forma que o vidente aponta sobre o futuro, ditos claramente sem nexo, quase que ousam tocar, brincar e explorar a arma com que deviam ser caçados. Isto é um abuso não é? Um abuso em qualquer parte do mundo, quanto mais num recinto de "caca desportiva".
Mas é assim que funcionam todos os vícios. Não existe vício no mundo que não seja a pagar.

Não estou surpreendido nem desiludido. Estou conformado, e em paz.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Psicologia barata


Há outra fantasia que não me sai da cabeça, porque é fantasia, talvez. Só as coisas que não se têm jamais se conseguem esquecer.

Deve ser fantástica a cena do paciente, da psicóloga, o caos de uma secretária cheia de livros, uns aberto, outros fechados, outros rasurados, outros completamente amarrotados, outros já impregnados de calor e suor, outros ainda por ler, uns óculos desalinhados na ponta do nariz da psicóloga, que tem que ser empinado senão não vale, uma das ligas já ao abandono no chão de pinho, os cabelos loiros fartos que de loiros finos está o mundo cheio, uns sapatos, dois sapatos de salto bem alto, sempre, calçados e que já não tocam o chão, um candeeiro prestes a desfazer-se em pedaços como uma onda de champanhe, e, minutos antes, poucos minutos antes, as formalidades da entrada, as boas noites senhora doutora, as descrições banais, as descrições formais, as descrições de outros caos internos mais caóticos do que aquela secretária que ali existe como um centro de mundo, logo logo os olhos nos olhos, os olhos que se desviam dos olhos, o medo da colisão, o abrir e o fechar de olhos assíncrono a princípio, suavemente síncrono depois, o semicerrar, primeiro dos olhos e depois dos lábios, uma vez, duas vezes, muitas vezes, vezes demais para uma consulta de rotina, a evidência a tornar-se evidente, as palavras a saírem rubras, uma sala de 35 metros quadrados, um jogo jogado em 2 metros de perímetro, que passou a 1 metro e meio após a descrição pormenorizada do primeiro sintoma, logo logo 1 metro, para depois se tornar na distância de um braço feminino, dolorosamente feminino, cinco dedos a repousarem na secretária como quem repousa antes de um grande combate, dez dedos agora, de tonalidades e vibrações diferentes, a misturarem-se, a percorrerem-se devotos, meio metro, 40 centímetros, etc (et caetera porque este jogo é bonito demais para acabar na banalidade dos -18 centímetros) ... e, tudo isto observado pelos olhos de Freud, de um dos retratos presos a uma moldura de uma parede branca do consultório.

Se por cada burca deixada abandonada no soalho é como se se implantasse uma democracia, pode dizer-se, com toda a propriedade, que por cada consulta de psicologia conduzida neste sagrado ambiente é como se se acordasse a mais amigável das ditaduras.
As ditaduras por curtos períodos fazem, do meu ponto de vista, muita falta, mais não seja para nos lembrar o quanto é bom a democracia. A implantação de uma ditadura exige paz; a implantação de uma democracia exige guerra. A ditadura da psicóloga faz falta a qualquer homem, com neurose ou sem neurose, tem é que ser um homem de paz... e amor.
 
 https://www.youtube.com/watch?v=nPYMpX1J2To

terça-feira, 22 de março de 2011

To be or not to be

To be drunk in Saudi Arabia it's a kind of big thing!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Povo Português II

Depois de me aperceber dos calhau caídos de marte que em portugal vagueiam, decidi vir-me embora de tão movimentada discoteca. Houve um amigo com menos álcool no sangue que eu que me cravou uma boleia. Chego ao carro e encontro um papel no meu vido a dizer: O carro XX-XX-00 (tenho a matrícula do carro) bateu na porta do teu carro. A porta do meu carro está completamente metida dentro. Nem a consigo abrir. Amanhã, de manhã, vou à polícia apresentar queixa contra o dono do carro com a matrícula escrita num papel de discoteca.
Acabo por estar contente. O meu carro estava mesmo a precisar de levar uma geral. Eu estava a precisar de gastar algum dinheiro para pagar menos de impostos, esse mecanismo que mantém a tropilha portuguesa do estado a dormitar. Se isto por um lado me deixou contente, por outro, encontrei, numa porta metida dentro, mais uma característica do ser português. O povo português bate e foge. Empurram os outros à bala. Ainda está para nascer um português que tenha os tomates no sítio para dizer: Olha, sou muito mau a conduzir, bati no teu carro, aqui tens o número para me contactares e para resolvermos isto com o menos custo possível para ambas as partes. Este povo irresponsável repete-se tristemente como a peste em cada criança que nasce. Não é povo, é uma raça animal sem raça.
Quando visito algum país em que vejo algumas realidades que me impressionam, costumo perguntar a quem me acompanha: Temos destes animais em Portugal? Quem me acompanha já me conhece a sentença e responde: Animais temos mas não como estes.
A bestialidade do povo português aumenta um grau em cada geração que por cá passa.

(amanhã conto-vos como correu na polícia. Adoro a vida feita deste pequenos transtornos).

Povo Português I

Depois de uma longa estadia no deserto eis que me encontro em Portugal, com algum tempo para re-visitar os locais onde a música, o álcool, a dança, o cruzar de olhares, os sorrisos, e tudo o que depois disso pode acontecer, como por exemplo, uma grande amizade, se tornam no motivo de todos os encontros, chego à constatação de mais algumas características do povo português que aqui passo a descrever sem ordenação, sem princípio meio e fim, como todas as coisas deveriam ser:
As mulheres portuguesas, para além de serem medianamente feias, são estúpidas como um calhau caído de marte. Ora pode perguntar-se por que raio um calhau caído de marte é estúpido? Eu acho que a estupidez e o deixar-se influenciar ou conduzir por outros estão ligados proporcionalmente e na mesma direcção. O calhau de marte cai no planeta terra não por vontade própria mas por força da gravidade que o empurra em ondas. Não precisa de pensar ou ter cérebro. Basta-lhe ter alguma massa para deslocar o lençol do espaço tempo. As mulheres Portuguesas são exactamente como esses calhaus de marte. Caiem numa discoteca não por vontade própria mas porque alguma das amigas as incentivou a ir, como carne para canhão. Não entendem patavina de música, pescam um bocadinho muito bocado de dança, pensam que percepção, consciência, realidade, abstracção são coisas de filmes de ficção científica. Enfim, são burras que nem o calhau de marte mas isto não é tudo. Para além de burra pensam que são fisicamente boas. Julgam-se misses que os maus olheiros não tiveram a capacidade de encontrar. Em cada mulher portuguesa há injustamente uma miss por encontrar. Esta é a abstracção de uma realidade que só existe dentro delas e que torna o caso português num dos mais críticos do mundo: Mulheres feias com a mania de que são boas. Cá fora, neste humilde solo onde temos que nos debater com a bruta puta e dura realidade, não vemos mais que seres feios, porcos, gordos e maus por se não encontrarem. Esta é a realidade, universal, dos que estão de fora. E os que estão de fora vêem para dentro e para fora.

Eu não costumo interagir assim com muita gente e com mulheres então, muito menos, e com mulheres portuguesas, então, quase nada. Hoje, por volta das 3 da manhã, depois de algumas misturas que a bílis irá fazer o favor de rejeitar, decidi abordar cordialmente uma miúda gorda de cara redonda e vermelha, quase saída de um tradicionalíssimo filme porno com cenário em palheiro onde ovelhas, carneiros e vaquinhas se alimentam, e galos cantam as cantigas das galinhas que cacarejam o hino do avô cantigas, e os cavalos esperneiam coices de morte em estábulos cheios de caruncho, cordialmente, como estava a dizer, simpático, de sorriso nos lábios, humilde, eis que me dirijo à miúda para lhe perguntar se a amiga dela, também saída de um filme menos porno mas ainda assim porno quanto baste, era portuguesa (como se houvesse alguma coisa que enganar). Ainda nem tinha começada a mísera abordagem e já a campónia estava a dizer que não falava comigo. Eu perguntei-lhe se ela entendia português e ela sempre a fugir como se eu tivesse lepra ou outra peste daquelas que vêm ao mundo para o equilibrarem. Senti-me mesmo mal e decidi não insistir com a criatura pensando que com calhaus toda a energia despendida é irremediavelmente perdida. Saí daquele local com o meu ego um pouco em baixo. Só um pouco que não há calhau que me empurre muito o ego, nem para cima nem para baixo.
Tenho a oportunidade de conhecer pessoas de quase todos os cantos do mundo. Nunca vi mulheres tão feias, tão burras e tão cheias de si com as portuguesas. Isto não é, infelizmente, uma excepção. É uma regra confirmada por uma excepção que cada vez menos existe.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Não está a correr bem...

Hoje o dia não me está a correr bem, para além de partir o vidro do meu recuperador de calor apanhei uma multa de 60 Euros por estacionar num lugar reservado a deficientes.
A senhora agente disse-me que ser deficiente de bom não contava. Vai daí... 60 Euros!
Juro que me doeu.

Consequence

Consequence, The Notwist

You're the colour,
you're the movement and the spin.
Never
Could it stay with me the whole day long
Fail with consequence, lose with eloquence
and smile.
I'm not in this movie
I'm not in this song.
Never
Leave me paralyzed, love.
Leave me hypnotized, love.

You're the colour,
you're the movement and the spin.
Never
Could it stay with me the whole day long
Fail with consequence, lose with eloquence
and smile.
You're not in this movie
You're not in this song.
Never

Leave me paralyzed, love.
Leave me hypnotized, love.
Leave me paralyzed, love.
Leave me hypnotized, love.

sábado, 23 de outubro de 2010

Pião

Após 20 anos e duas negras em cada uma das canelas lá consegui por novamente o pião a rolar... 
E foi um momento lindo. E era verde mas depois veio uma vaca e comeu-o.
Sta. Eufémia, Guimarães, 2010

Latte Macchiato


No segmento das meias-de-leite, a meia-de-leite portuguesa, referida a partir daqui simplesmente como MdL portuguesa por uma questão de rapidez e de estética, ainda ocupa o primeiro lugar deste meu ranking das misturas de leite com café. Já aqui contei o que penso do capuchino, que não é mais do que meia (meia mesmo) MdL portuguesa com muita espuma, isto é, metade é MdL e a outra metade é espuma, e da forma como isso pode atormentar os gases, chegando mesmo a ir mais longe, dissertando sobre aqueles efeitos maricas que lhe dão os desenhinhos em canela sobre a espuma, e, estando agora em condições de prosseguir na análise, metendo ao barulho o Caffe Latte alemão ou a falácia Café au Lait franciu, continuo a manter a minha posição: não há nada que chegue sequer ao calcanhar da pouco publicitada MdL portuguesa. Ora, se assim bem estou no que a este segmento se refere, há um outro segmento nestas misturas onde os movimentos no topo da lista não me têm deixado dormir tranquilo a noite. Falo obviamente do segmento Galão! Se no princípio era o galão português que sem um milímetro de dúvida encabeçava tão obtusa lista, agora começa a entrar a dúvida do Latte Macchiato alemão e isso é do piorio para a economia deste país à beira mar plantado – plantado mesmo! Os franceses e os italianos não concorrem neste segmento, pelo menos no meu ranking, porque acho que é um pecado mortal andarmos a comparar água mal filtrada com aquilo a que se pode chamar de galão.
Então vejamos a minha ansiedade quando observo impávido mas nada nada sereno o latte macchiato a passar a perna ao galão, assim: Com um galão fico com aquele sentimento de que precisava de um bocado mais, tipo mais um ou dois dedos de galão, há um inegável desconforto, do género é completamente excelente no sabor mas falta-lhe quantidade, falta-lhe 2 dedos de volume. Há um “mas”, entedem? Com o latte macchiato alemão essa coisa da quantidade está resolvida com rigor absoluto, nem de mais nem de menos. Pronto… é por demais evidente que como o capuchino do segmento das MdL falha na espuma e na virilidade dos desenhinhos, o latte macchiado é também um exagero de espuma no segmento dos galões. Temos, é certo, aqui um “mas” mas esse “mas” que é o erro de concepção alemão é menos “mas” que o erro da quantidade português. A espuma, como tantas outras coisas na vida, pode apartar-se para os lados; o défice de quantidade ou de tamanho por vezes é difícil de se emendar, por extensão, por implantação ou por qualquer outra abordagem criativa terminada em ão. Por tudo isto, estou a pensar seriamente em passar o Latte Macchiato para a frente do galão nesta minha lista das misturas do leite com café
Não falei de países que não entram no ranking, por exemplo, dos espanhóis, porque nas MdL e nos galões primeiro é preciso saber-se tirar um expresso e depois saber mugir-se cuidadosamente a vaca. Os espanhóis só sabem mugir a vaca, como os franceses, nos intervalos das greves. Os alemães estão a aprender a tirar o expresso, mas como em tudo vão longe com a coisa.

Cafetiero em Frankfurt Zeil. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ninguém diga que está bem

Na tentativa de poupar algum dinheiro optei, desta vez, por um hotel de 4 estrelas. 4 estrelas no Barém, com pequeno almoço incluído, são 100 euros, sem tirar nem pôr. Sem tirar nem pôr mesmo! O problema é que para além do quarto parecer arrumado e limpo tudo o resto tem aspecto de pensão estrelinha em Portugal. Se o arrependimento matasse estaria morto de morto neste momento.
Bem, não satisfeito com todos os movimentos duvidosos nos elevadores, como se houvesse dúvidas - o entrar de prostitutas era ali tão límpido como a água dos Pisões, ou vá lá, da Penha, decidi subir ao 7 andar onde nos cartazes aparecia, para além de um bar, como as mentes, iluminado, umas mulheres esbeltas da Rússia (tão limpinho como a água, também... Ver imagens). Ao entrar no bar deparo-me com um cenário que ainda hoje não consigo entender: uma música horrível e meia dúzia de gajas balofas num palco balofo por efeitos de encosto, de cabelos pretos, compridos, e uma sala repleta de gajos com aspecto de gosme, gordos "comá" m#rda, vestidos de branco, com a tradicional tolha com padrões italianos pela cabeça, a fazerem não sei bem o quê, bêbados, como a putassa. No dia em que o vinho for permitido estes bofes entrarão na 3ª guerra mundial.
Os balofos ofereciam colares de flores às balofas. As balofas do palco falavam palavras que eu não conseguia entender para os balofos das mesas. A música continuava alta e sem sentido. Mais um erro dos meus, este de casting!
Desço ao terceiro andar e entro no meu quarto, sempre com o mesmo receio de que o meu computador tenha sido gamado. Não foi gamado, de outra forma não estaria aqui a escrever a estas horas da madrugada observando o movimento duvidoso dos elevadores. Verifico se o cartão de crédito de reserva está no sítio, dentro de uma caixa de aspirinas. Está. Vi esta cena num filme de Hollywood. Para nunca ficar descalço nunca ando com todos os cartões na mesma carteira.
No bar, continuam a oferecer colares de flores às gordas do palco. Deveriam ser proibidos todos os espectáculos deste nível. É que não há objectivo predefinido. Pelo menos eu não o identifiquei.
Volto ao meu quarto. Preciso de dormir e esquecer as figurinhas como quem precisa de respirar. Claro, estou assim, digamos, fodidinho da silva, porque me cobraram 10 dinares de entrada (20 euros). Valeu por uma coisa: Tenho a certeza de que detesto cada vez mais o perfume da dolce e gabanna. Estes gajos devem bebê-lo a todas as refeições.
Boa noite.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Viajar

Viajo cada vez menos a cada dia que passa. Dos 120 voos anuais (não sendo eu comissário de bordo), este ano, a média da coisa deve ficar pela sua metade. Muito pouco para quem já só inspira nos aeroportos a observar vultos e movimentos, como quem cataloga pássaros; Muito pouco para quem a criação já só está nesses movimentos incógnitos de entradas e saídas, de esperas e arranques; Quase nada para quem a criatividade está nos sorrisos e franzires de testas oblíquas, nos piscares e nos esbugalhares de olhares efémeros, nos regressos e nas partidas, nos encontros e desencontros, nas empatias e antipatias arbitrárias - ou talvez não, no bom e no mau, no bem e no mal, na vida, na minha vida.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Jornal Público

Em Portugal existe um jornal em condições. É o Público.
Sempre que não tenho acesso à sua edição em papel tento ler os títulos online. Há no entanto um problema. Na Arábia Saudita, em alguns lugares, não consigo aceder a este grande Jornal. Não encontro quaisquer problemas nos acessos a outras fontes de informação como a TSF ou o DN.
Agora, que olho para o nome do jornal público com olhos dever, acho que encontrei a razão para alguma da censura que por aqui talvez se encontre. Acho, repito, acho (porque não é empírico mas simplesmente racional), que, aqui, sempre que digito o endereço do Jornal Público alguém na equipe de triagem deve estar a ler "Jornal Púbico". E, claro, o púbico aqui não passa... Ai se passasse!

sábado, 17 de julho de 2010

Petra, Jordânia

Primeiro pensei para com os meus botões que, ali, em Petra, Jordânia, só os tinha na calças de ganga Salsa, talvez se vivesse no meio deserto como eles, sem o mar frio de azul de Portugal ou a verdejante montanha do Gerês, ali, naquele lugar onde as plantas se matam para sobreviverem, ali, se ali vivesse, talvez como eles me virasse a escavar as pedras arenosas com um pau, com um simples osso de um ser outrora complexo, com unhas e dentes, por puro entretimento, para que os dias passassem mais rápido, para que o sol se escondesse e se recusasse a levantar com medo de ver as vergonhas que durante os meus dias tinha inscrito nas paredes para sempre. Como estava a dizer, se ali em Petra vivesse, também esgravataria as paredes com a raiva de quem não tem o prazer de ver o florir espontâneo do lilás, do vermelho, do rosa, do azul, do verde, do laranja, pensei, para com os meus botões. Depois, uns dois quilómetros mais à frente, quando cheguei a Al-Khazneh, o tesouro de Petra, vi que ali se fez muito mais do que passar tempo, muito mais do que entretimento, ali fez-se arte, escultura, literatura, arquitectura e poesia, em pedra, mole, é certo, mas pedra, para todo o sempre.
Juntei-me a um grupo daqueles com Guia para não entrar em branco em tão rico espaço. Ainda mal tinha dado dois passos e ouvi as palavras “que cheiro!”. Alto! pensei, há aqui portugueses na molhada. Porquê? Porque “que cheiro”, com aquela entoação de Lisboa, só existe em português, e nem os espanhóis o conseguem imitar. Cheirei-me e ainda não cheirava a cavalo. É portuguesa, perguntei. Sou sim, respondeu. É brasileiro? Uma pessoa não se pode dar ao luxo de ser alto e ter sotaque de Guimarães, e deixa logo de ser português. Não, respondo, sou português de Guimarães. A Ana Paula, que, como boa portuguesa, fazia tudo para trocar as voltas ao guia, lá se apresentou e lá me foi explicando, ela por ela, tintim por tintim, a circunstância de ali nos encontrarmos. Cheguei a acompanhar o grupo por uma boa hora, até que, por entre informações históricas decoradas, o guia me desiludiu sem retorno, com “aqui, no parque, temos 194 cavalos, 383 burros e 231 camelos ao serviço dos visitantes. Saí imediatamente dali. Como poderia ele saber que entretanto não teria dado um chilique a uma das águas debaixo daquele sol ardente!? Saí rápido porque estava com receio que ele arriscasse o ridículo de dizer quantas unhas se partiram a escavar, por exemplo, a Tumba do Palácio. Segui sozinho e não me arrependi, mas fiquei consciente de que há viagem que não se devem fazer sozinho, por meras questões logísticas. Petra é uma delas. Quantas vezes perdi um bom momento por não ter a quem pedir para me tirar uma foto ou, porque ali não se encontrava uma pedra para poisar a câmara em posição de disparo automático?
No meio da viagem, ali algures onde os monumentos gregos começam (Qasr al-Bint), por volta das duas e um quarto da tarde, hora da reza na Jordânia, comecei a ouvir entoações vindas das montanhas de pedra. Não gosto das rezas árabes, rais me partam! São uma espécie de choro de quem acabou de descobrir que a razão da existência não tem razão nenhuma, e muito menos devoção, apenas ocasião e acaso. Segui em frente e fui vendo tumbas de que já nem me lembro do nome, passei pelo Teatro (soberbo) e pela rua das colunas (alinhadas e com uma imponência relativa), e comecei a subida que haveria de me tomar mais uma hora para chegar ao lugar do Sacrifício. A viagem de regresso fez-se com a pressa de quem tem calos nos pés e de quem precisa urgentemente de repor as águas transpiradas no nível certo. Eram 5 da tarde e, mais morto que vivo, estava a caminho do Mar Morto, para o que desse e viesse. Para trás ficaram 5 horas de memórias e deslumbre pelo que o ser humano, quando quer, consegue criar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Riyadh - WYSIWYG

What You See Is What You Get, como todos sabemos, é uma verdade apenas possível nos editores e processadores de texto, tipo MsWord ou outros. No mundo real, WYSIEWYWG, What You See Is Exactly What You Won’t Get. Quantas vezes me sinto enganado pelo vulto com bons cabelos e de rabo jeitoso que me faz atropelar as pessoas que passeiam carteiras vazias no centro comercial para, em tempo, lhe ver qual o seu aspecto de frente? Quantas vezes não somos enganados pelas calças Levis justinhas, misteres em encobrir celulites visíveis a olho nu da mesma posição onde se encontra o telescópio hubble?
Pois é, este acrónimo em inglês tentando dizer que hoje a tecnologia permite que tudo o que vemos no ecrã seja tudo o que vamos ver impresso na impressora, associado ao facto de me encontrar desterrado (expatriado é mais bonito) em Riyadh, fez-me pensar que no mundo real tudo o que vemos não será por certo tudo aquilo de que iremos desfrutar. A experiência é a base de todo o método científico, por isso aqui o afirmo: WYSIEWYWG.
Em Riyadh, Arábia Saudita, este WYSIEWYWG é muito mais provável que em Portugal ou noutro país mais ocidental, como iremos ver. Se em Portugal as pessoas mais atentas estão preparadas para dar o devido desconto à mentira Levis ou para parar o movimento criativo que caracteriza quase todos os cérebros masculinos e mesmo para as levar à praia e efectivar o teste da areia dias antes dos finalmentes, em Riyadh isso não acontece. Aqui veste-se de preto da cabeça aos pés, quase nem os olhinhos dá para ver. Não há vultos às cores. Esqueçam o laranja ou o vermelho, o azul ou o verde alface. É preto e pronto, nelas, ainda que a temperatura se eleve aos 55 graus célsius, neles, é branco mais branco não há.
Ora como consegue um homem orientar-se nestes ambientes, e desculpem-me usar de uma expressão de todo despropositada, sem que coma gato por lebre?
Tenho colegas que olham para as mãos como o elemento mais significativo na tomada de decisão, outros são os olhos, há outros ainda que são os peitos ou o rabo, há ainda quem dê preferência aos cabelos. Aqui não há nada disso. Há burcas todas elas pretas onde não se vislumbra nada que ajude a imaginação a criar. Esqueçam a cena do fio dental a saltar fora da mentirita Levis, esqueçam o vestido branco quase transparente de onde se vê de que forma o triângulo assenta no paralelepípedo, esqueçam a probabilidade de o cai-cai cair mesmo. Nada. Só se vê preto. Até as mãos são revestidas de preto, fino. Nos centros comerciais passeio-me sempre com aquela sensação quase feliz de que estão a acontecer funerais de gente importante todos os dias.
Enfim, enquanto por aqui me veraneio vou formalizando alguns esquemas para perceber do meio de tanta cor preta onde estão as gajas boas, para, enfim, distinguir o trigo do joio. Os sapatos rasos ou de salto são o item mais importante e, logo a seguir, vêm os sacos que transportam a tiracolo. Não há mais nada para avaliar o que ajuda à decisão. São apenas 2 itens que nos ajudam de alguma forma a distinguir as boas das más, as maneirinhas das desproporcionadas, as bonitinhas das feiinhas, as apetitosas das outras que nos passam ao lado. Embora confie plenamente na aferição Sapato/Saco mesmo assim aqui não arrisco nem um milímetro! Ninguém me leva sem um verdadeiro e formal teste da areia (Até porque não quero ficar sem as mãozinhas).
Para finalizar, pode também generalizar-se a seguinte verdade: O Brasil é muito mais WYSIWYG do que Portugal não só porque há lá mais areia mas porque ali nada se esconde, embora existam por todo o mundo os mesmos meios para tudo se fingir.

domingo, 20 de junho de 2010

Bharein com um cheirinho de cuba

O americano não parava de dizer bullshits e não havia meio de ir à casa de banho despejar a bexiga. Ela, que não era nada de especial, era especialmente maneirinha. Usava um perfume Chanel, talvez o Number One ou o Coco Mademoiselle, que lhe assentava muito bem na sua cor de pele de cor nenhuma. Eu estava a fim de lhe demonstrar o quanto percebia de perfumes com um toque de quem está ali apenas para fazer sala. Enquanto ouvia aquela conversa de totós, de olho na cubana do xilofone da banda que ao vivo actuava, deixei várias vezes apagar o cigarro Partarca, também ele importado da mesma terra de onde havia chegado tão vivo som. Chego à conclusão que gasto muito mais dinheiro em fósforos que em cigarros.
Eu respeito os americanos pela sua autoconfiança umbilical… A autoconfiança que nos falta a nós portugueses. Apagou-se-me o Partarca habana cuba uma vez mais. Falta de jeito.
Em meia hora consegui misturar uma calsberg com um mojito 5 fósforos e 2 cigarros e, já não estando em fase de ver onde paravam as modas, eis que o americano, nada amaricado, se decide a verter águas. Ora, meia hora foi tempo suficiente para apanhar o olhar da bonita morena da banda do xilofone. Não quis mais saber do perfume que a meu lado actuava volátil. Concentrei-me naquele universo moreno, activo, ingénuo, seguro de inseguro, puro como os partarcas, vivo, mantendo o rico compasso. Há mulheres que em poucos segundos se nos vislumbram como a representação mais fiel das propriedades do universo. Há nelas um ínfimo de todas as possibilidades, são o big freezing ou o big crunch porque é só nesses momentos a existência se manifesta(rá), são todas as teorias aplicadas na prática, a das cordas, a dos universos paralelos, a dos universos interceptados (esta teoria é minha e será explicada, um dia, mais à frente, ou atrás). A cubana do xilofone com mais qualquer coisa encerrava em si todas as coisas que se me concebiam naquele momento. Eu, que me apaixono basicamente todos os dias, dei por mim novamente apaixonado. Depois, claro, com a falta de autoconfiança que caracteriza alguns dos portugueses, não lhe deixei um bilhete onde dizia: If one day you want to make a revolution in your life just write me to this mail address. Não lhe deixei o tal bilhete porque pensei que usar da estratégia de revolução já não deve pegar para aqueles lados cubanos, e, quando assim é, com todas estas incertezas a atravessarem-se no meu caminho, nunca arrisco. Arisco, fui-me deitar num quarto alugado do mesmo hotel, sozinho, tentando-me impingir estas análises de custo-benefício como quem mente a uma criança com o conto do Pai Natal na chaminé.
http://www.youtube.com/watch?v=ECut4WYurXs 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

f©tos


© Ultrapassar a velocidade do som, é?
Eu dizer “Abre a porta por favor”, acabando por ser eu a abrir a porta.

© Não aprecio árabes de espécie alguma. Há, no entanto, uma categoria que ultrapassa a classe do não apreciar para um nível que se encaixa no não gostar mesmo. É aquele espécime que usa rabo-de-cavalo no cimo traseiro da cabeça – haverá assim algum rabo-de-camelo?! – Calças brancas, um sapato de biqueira 5 tamanhos acima, uma camisa preta com riscas brancas para não destoar o ar de azeiteiro, aberta até ao ponto onde o estômago começa a crescer, 2 ou 3 anéis em polegares que servem apenas para assinar de impressão digital, um cinto que, sinto muito, mais parece um loquete de castidade e, depois, para rematar, aquelas contas de rezas mal cantadas a servirem de colar. Ah!... Não esquecer a pulseira de prata no direito e um relógio com um design da feira de Carcavelos no esquerdo, o pulso das solitárias diabruras. Há uns que rematam a obra com um brinco que mais parece o candeeiro da missa das 10 oferecido pela confraria do menino. Rais os partam! Não são ciganos. Não são coisa alguma. Lazy, stupid and rich, while the black hole keeps ejaculating.

© Quando se sai da Arábia Saudita para qualquer lugar encontramos sempre as mulheres mais bonitas do mundo. Acontece por exemplo quando entro em Portugal não tendo tempo de parar para almoçar em Frankfurt. As mulheres do Líbano, em Beirute mais especificamente, são mesmo bonitas, só me falta averiguar se são bonitas congénitas ou se esta minha percepção de beleza está também condicionada pelo movimento de saída da Arábia Saudita.