Mas, essa coisa do amor, esse nó na garganta, essa falta de ar, esse chorar, só do pensar que somos as pessoas mais infelizes do mundo, da fatalidade, esse andar de coração a querer explodir nas mãos para todos os lados, depois... depois torna-se num vício. E passamos a vida a morrer de amores. Passamos a querer estar apaixonados todos os dias para podermos sentir a falta de ar os dias todos. A falta de ar passa a fazer falta. Um dia sem uma fatalidade de amor torna-se num dia incrivelmente estranho e estranhamente perdido. E, então, quando tudo está calmo, incluindo o ar ou amor, ficamos ansiosos porque tudo, incluindo o ar ou o amor, está calmo. E é uma loucura. Pensamos que morremos aos poucos mas estamos a viver tudo e em tão pouco tempo. E queremos mais. E mais e mais e mais, embora acabemos sempre a dizer que desta vez será mesmo a última. Por isso é que a vivemos no limite. Vivemo-la como se fosse realmente a última. Essa coisa do amor é uma droga!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Viajar
Viajo cada vez menos a cada dia que passa. Dos 120 voos anuais (não sendo eu comissário de bordo), este ano, a média da coisa deve ficar pela sua metade. Muito pouco para quem já só inspira nos aeroportos a observar vultos e movimentos, como quem cataloga pássaros; Muito pouco para quem a criação já só está nesses movimentos incógnitos de entradas e saídas, de esperas e arranques; Quase nada para quem a criatividade está nos sorrisos e franzires de testas oblíquas, nos piscares e nos esbugalhares de olhares efémeros, nos regressos e nas partidas, nos encontros e desencontros, nas empatias e antipatias arbitrárias - ou talvez não, no bom e no mau, no bem e no mal, na vida, na minha vida.
Mete dó!
Mete dó ver o primeiro-ministro falar em inglês. Ninguém pode começar apresentação alguma dizendo que vai usar uma linguagem universal para se expressar: “O mau inglês”. Tivesse ele pedido desculpa por ser mau em línguas, como é mau em matemática (falta avaliar a arte), e não precisaria de usar o comum recurso que qualquer orador usa quando perde todos os argumentos: "You know what I meant".
Não sr. primeiro ministro, ninguém sabe o que quis realmente dizer! Desculpe-nos sermos ignorantes a esse ponto.
O inútil
O povo francês, nos dias que correm, é capaz (apenas) de duas coisas: furar filas e fazer greves. É já a terceira vez que por causa das acções (inacções) deste povo nitidamente em decadência, chego atrasado ao Porto, e não são atrasos de algumas horas. Parece que ainda não entenderam que o tempo do seu nariz empinado acabou!
Todos estes problemas com os voos para Portugal e Espanha de origens na Europa central devem-se ao facto de termos que passar sobre Paris, essa cidade laxante – Sempre que oiço o comandante dizer que à nossa esquerda está Paris, não sei porquê, dá-me sempre uma imensa vontade de ir à casa de banho.
Todos estes problemas com os voos para Portugal e Espanha de origens na Europa central devem-se ao facto de termos que passar sobre Paris, essa cidade laxante – Sempre que oiço o comandante dizer que à nossa esquerda está Paris, não sei porquê, dá-me sempre uma imensa vontade de ir à casa de banho.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Implosão ou explosão?
Se prefiro implodir ou explodir? Sinceramente, e apesar de só se existir nesses dois eventos, por ora, prefiro a não existência que os intermedeia. Porquê? Porque me sinto bem. Se um dia me encher desta não existência ou se alguém se encher da minha não existência e me fizer deslocar para uma das pontas dessa cadeia onde só se existe no princípio e no fim, então, preferirei de longe a implosão à explosão. A implosão é singular; a explosão é plural. Escolherei a implosão com a mesma certeza de quem escolhe o silêncio porque conhece a sua beleza e porque, talvez, tenha já vivido demasiado tempo no desperdício do barulho. Depois, adoro as coisas compactas, que nelas, ainda que por breves momentos nesta minha não existência, o pensamento breve de que estou ainda a tempo de existir, se realiza e, depois, se materializa naquele friozinho intestinal que os entendidos chamam de adrenalina e eu às vezes chamo de cagaço.
A explosão afasta os corpos e, como nos frigoríficos, o calor da lugar a um frio que pode ser horrivelmente eterno. O calor da implosão transforma, ao contrário do frio da explosão que apenas congela. A singularidade não ocupa espaço; o big bang desperdiça-o singular e estupidamente. Na singularidade da implosão o tempo é paradoxal e, então, é-se e, então, está-se. Na explosão o tempo existe como uma barreira que nem nos deixa ser tanto quanto queremos nem estar tanto quando podemos.
A explosão é um orgasmo. A implosão um anti-orgasmo.
(Adenda)
E não, na singularidade da implosão não há escombros mas sim a absoluta arrumação, onde todos os objectos cabem dentro de si e por sua vez dentro do nada. É paradoxal não só em termos de tempo, como de espaço, que são o mesmo.
A implosão é tipo um buraco negro, que é negro só para quem está do lado de fora do seu horizonte de eventos. Os que estão lá dentro, usufruem de uma luz suprema. A partilha é um dos elementos base e não, não é imóvel e muito menos intocável esse espaço que se quer exíguo. A dinâmica dos objectos dentro de objectos dentro de objectos dentro de objectos arrumados no nada só pode ser infinita.
Depois da explosão há morte e muito raramente se criam condições para a vida. Depois de uma implosão há silêncio… material necessário à vida inteligente.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)