terça-feira, 16 de agosto de 2011
cacofonia
O mundo não existe. Só existe a música. E mesmo esta é para ser cantada cada vez mais baixinho, num sopro, num sussurro, quase que só em pensamento - única forma de vencer a cacofonia que o mundo insiste em produzir. João Gilberto, Folha de São Paulo, 10/06/2011
domingo, 14 de agosto de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
The look
Metronomy
You're up and you'll get down
You never running from this town
Um dos melhores sons que tenho ouvido nos últimos tempos. Claro... De Londres.
Alguém dá uma sugestão para o livro que ela anda a ler ao minuto 3:42?
Alguém dá uma sugestão para o livro que ela anda a ler ao minuto 3:42?
sábado, 9 de julho de 2011
Errata
Ontem fizeram o favor de me elucidar de que me teria engando no período de gestação humano quando escrevi o texto “O nascimento e as rabanadas”. São 9 meses de gestão e não 10, diziam-me. Nesse texto fui ao ponto de afirmar que cópula em Fevereiro dá os seus frutos lá para Novembro, já se a coisa fosse antecipada para Janeiro teríamos festa lá para Outubro.
Acabei por corrigir o texto passando o Janeiro a Fevereiro e o Fevereiro a Março.
Ainda pensei duas vezes se o deveria fazer...
É que sendo eu um daqueles homens que contabilizada as duas semanas de galanteio e de ramos de flores, jantares à luz de velas, serenatas, ramos de flores, surpresas e prendas variadas, as chamadas a todas as horas para saber se está tudo bem, os ramos de flores, o telefonema antes de dormir e a mensagem ao acordar, os ramos de flores, as visitas aos shoppings aos cinemas e as boticas, os ramos de flores, tudo isto antes do comummente aceite “ato sexual” e mais duas semanas, imaginem!, de carinhos e outras doçuras depois do também comummente aceite “fazer amor”, acabando por se sobrepor todo este anteriori ao posteriori e ao ato em si, culminando tudo numa grande festa de afecto e dedicação, considerar 10 meses como o período de gestação para a minha classe até nem é tão errado como à primeira vista se possa pensar.
Decidi no entanto corrigir o texto uma vez que os homens da minha estirpe são cada vez mais raros e fica assim mais difícil de entender os 10 meses de gestação a que me referia no texto anterior. sexta-feira, 8 de julho de 2011
O nascimento e as rabanadas
Estive aqui a pensar que para nasceres em Julho tiveste que ser feita em Novembro. Ora, Novembro é um bom mês para se nascer, como foi o meu caso, e não para se ser feito. É que uma queca dada (ou vendida) em Novembro requer muito mais energia e capacidade de abstração do que uma executada em Março - Até os gatos começam a andar com as hormonas nos pícaros em Março, não é verdade? É a natureza a pedir que se copule, forte, e feio. Em Novembro, as pessoas andam muito tapadas, o frio reduz alguns pénis à inexistência de 5 centímetros - a cópula requer menos 18 centímetros, sabias? -, o pensamento está mais para doces e outras formas de acumulação de energias e açúcares do que para quecas e outros modos de dispersar energia e de partilhar centilitros de saliva açucarada. Em Novembro o mel começa a ser comprado para ser gasto em rabanadas, mexidos e aletria e não com o propósito de ser suave e uniformemente aplicado na pele, amaciando-a. Todos os outro óleos estão mais na cozinha do que nos aposentos de hidromassagem. As noites começam mais cedo mas as novelas fazem-nos deitar à mesma hora; os dias começam mais tarde mas o trabalho obriga-nos a levantar à mesma hora. É todo um momento intelectual que se perde. E quem acaba por sair prejudicado com tudo isto? A cópula.
Isto tudo para dizer que tu és o fruto de um acto (não consigo escrever acto sem c) mais epopeico do que todos os outros bebés que nascem em Novembro ou em Outubro. Tu requereste muita mais energia e capacidade de abstração. No meu caso não foi preciso nada disso, foi só seguir o ciclo normal da natureza. O resultado, no final, deve ser o mesmo, pois nascemos todos com os olhos fechados, tudo o resto depende da palas que nos metem na frente ou dos lados, quando os abrimos. Nascer-se em Outubro é muito mais contranatura que tudo o resto. Os que nascem em Outubro são feitos em Fevereiro e, pressuponho, nem é preciso abstração, mais energia ou seguir o ciclo normal da natureza, é suficiente o descarregar da energia acumulada dos doces as festas natalícias.
Enfim, toda esta pseudoteoria com bases em ciência da que se faz em Sta. Eufémia seria válida se não olhássemos para ti e notássemos essa tremenda energia que transportas contigo e que te é congénita. Estou certo, e em modos de pergunta termino este texto, escrito para to dedicar, no início, mas que após as primeiras frases tomou caminhos que não enaltecem o standard de dedicatória alguma, estou certo dizia, de que nasceste prematura, não foi? É que, acho, o teu algodão energético não nos engana. Se assim foi, lá se fica por terra toda esta epopeia de gatos, rabanadas, energias, e cópula. Mas, sabes, não interessa. O que importa mesmo é que enquanto o escrevi pensei em ti. Parabéns! Desejo-te um estado Em Joy!
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Freckles
Mais conhecida como Kate Austen na série Lost, Angeline Lilly dispõe uma beleza que dispensa qualquer make up (?). Aliás, é tão natural a sua beleza que, ficando bem de qualquer forma, torna-se uma diva quando se nos apresenta no seu estilo maria rapaz.
domingo, 19 de junho de 2011
Quem escorrega também cai
Quem caiu também escorregou
Mogwai - Yes, I am a ling way from home
Há provérbios e provérbios, como há ditos e ditos, uns válidos e comprovados pela experiência e outros onde a validade é dúbia ou, no mínimo, discutível. Ora o quem “escorrega também cai” era um dos ditos que eu considerava pouco aplicável à realidade. Quem escorrega, dizia, pode ainda assim não cair.
Acabo de me certificar que cheguei há muito à idade em que quem escorrega cai, definitivamente. Será que os provérbios têm um aplicação por escalões etários? do tipo, até ao 35 anos quem escorrega pode ainda assim não cair, depois dos 35 quem escorrega também cai, será? sei lá!
Eu acho que é como digo.
Faz 3 semanas que escorreguei e caí duas vezes seguidas enquanto preparava uma, como na minha terra se diz, frangalhada para os amigos. Para além de o facto de as escorregadelas serem de uma forma tal – forma tal para a minha idade - que não pude evitar cair, ao contrário do que me acontecia nos tempos em que a minha condição me dava uma agilidade que me permitia evitar o tombo mesmo a 5 centímetros de chegar ao chão, constatei ainda outro facto que me permite afirmar que cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou”, uma bela forma de dizer que nesta idade não nos podemos dar ao luxo de cair por cair ou cair pelo sabor da experiência. Cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou” ou à idade em que não se nos é permitido cair.
Quando se tem 15 anos, aparecer a coxear na frente dos amigos e amigas é um sinal de valentia. Aí as mazelas provocadas por uma queda são estimadas, cultivadas, fingidas e prolongadas até ao ponto em que os outros nos continuam a olhar como quem olha um rebelde, um herói, um guerreiro acabado de conquistar a guerra. É esse olhar de fascínio dos outros que faz com que as escorregadelas possam ser com ou sem queda, sobre o nosso desígnio e controlo. Somos uma espécie de pequenos deuses das escorregadelas. O mundo e a natureza aí são perfeitos, caímos e levantamos tantas vezes quantas nos der na gana. Recuperar de um entorse faz-se em menos de um dia, com ou sem gelo, com ou sem erodoide(?), o corpo facilmente se transforma de uma máquina de força e agilidade numa fábrica de produção de antinflamatórios. É deslumbrante e belo.
Quando se chega à minha idade, uma pequena queda provoca o maior dos danos. Os seguros de saúde e acidentes pessoais passam a fazer todo o sentido, e deviam ser mais caros e obrigatórios. Primeiro, é limpinho que “quem escorrega também cai”, segundo, à “primeira quem quer cai à segunda só cai quem quer” passa a ser uma máxima claramente falsa, terceiro, o “levanta-te e anda” da época de Jesus passa a ser completamente impossível na idade dos que não podem sequer escorregar. E isto passa a ser válido para todos os aspectos da nossa vida, dos mais físicos aos mais espirituais.
Se aparecemos a coxear os olhares de quem não nos conhece passam a transmitir um sentimento que nada tem a ver com fascínio. Quando aos 15 nos sentimos os heróis, depois dos 35 passamos a sentirmo-nos deficientes, manquinhos, coitadinhos. Enquanto aos 15 se cura um entorse em menos de 24 horas, depois dos 35 pode levar meses a curar, pior, para não forçarmos a dor acabamos por magoar todas as outras articulações. É uma bola de neve. Comigo começou com um pequeno entorse que logo passou a dores fortes no joelho, as dores na anca vieram logo a seguir e as costas já começaram as manifestações de desconforto. Quando se escorrega depois dos 35, não há nada a fazer. Parar é o único, demorado e incerto remédio. Fisicamente funciona assim: poucas coisas funcionam, mas há pelo menos ainda a incerteza da recuperação. Na outras áreas é trinta vezes pior, a certeza de que jamais nos levantamos é muito maior. Eu, que afirmo que a calma e a certeza são os sinais mais importantes de que a morte está perto, detesto as escorregadelas, porque me dão a certeza da queda e me lembram cada vez mais as dificuldades de me levantar.
Há provérbios e provérbios, como há ditos e ditos, uns válidos e comprovados pela experiência e outros onde a validade é dúbia ou, no mínimo, discutível. Ora o quem “escorrega também cai” era um dos ditos que eu considerava pouco aplicável à realidade. Quem escorrega, dizia, pode ainda assim não cair.
Acabo de me certificar que cheguei há muito à idade em que quem escorrega cai, definitivamente. Será que os provérbios têm um aplicação por escalões etários? do tipo, até ao 35 anos quem escorrega pode ainda assim não cair, depois dos 35 quem escorrega também cai, será? sei lá!
Eu acho que é como digo.
Faz 3 semanas que escorreguei e caí duas vezes seguidas enquanto preparava uma, como na minha terra se diz, frangalhada para os amigos. Para além de o facto de as escorregadelas serem de uma forma tal – forma tal para a minha idade - que não pude evitar cair, ao contrário do que me acontecia nos tempos em que a minha condição me dava uma agilidade que me permitia evitar o tombo mesmo a 5 centímetros de chegar ao chão, constatei ainda outro facto que me permite afirmar que cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou”, uma bela forma de dizer que nesta idade não nos podemos dar ao luxo de cair por cair ou cair pelo sabor da experiência. Cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou” ou à idade em que não se nos é permitido cair.
Quando se tem 15 anos, aparecer a coxear na frente dos amigos e amigas é um sinal de valentia. Aí as mazelas provocadas por uma queda são estimadas, cultivadas, fingidas e prolongadas até ao ponto em que os outros nos continuam a olhar como quem olha um rebelde, um herói, um guerreiro acabado de conquistar a guerra. É esse olhar de fascínio dos outros que faz com que as escorregadelas possam ser com ou sem queda, sobre o nosso desígnio e controlo. Somos uma espécie de pequenos deuses das escorregadelas. O mundo e a natureza aí são perfeitos, caímos e levantamos tantas vezes quantas nos der na gana. Recuperar de um entorse faz-se em menos de um dia, com ou sem gelo, com ou sem erodoide(?), o corpo facilmente se transforma de uma máquina de força e agilidade numa fábrica de produção de antinflamatórios. É deslumbrante e belo.
Quando se chega à minha idade, uma pequena queda provoca o maior dos danos. Os seguros de saúde e acidentes pessoais passam a fazer todo o sentido, e deviam ser mais caros e obrigatórios. Primeiro, é limpinho que “quem escorrega também cai”, segundo, à “primeira quem quer cai à segunda só cai quem quer” passa a ser uma máxima claramente falsa, terceiro, o “levanta-te e anda” da época de Jesus passa a ser completamente impossível na idade dos que não podem sequer escorregar. E isto passa a ser válido para todos os aspectos da nossa vida, dos mais físicos aos mais espirituais.
Se aparecemos a coxear os olhares de quem não nos conhece passam a transmitir um sentimento que nada tem a ver com fascínio. Quando aos 15 nos sentimos os heróis, depois dos 35 passamos a sentirmo-nos deficientes, manquinhos, coitadinhos. Enquanto aos 15 se cura um entorse em menos de 24 horas, depois dos 35 pode levar meses a curar, pior, para não forçarmos a dor acabamos por magoar todas as outras articulações. É uma bola de neve. Comigo começou com um pequeno entorse que logo passou a dores fortes no joelho, as dores na anca vieram logo a seguir e as costas já começaram as manifestações de desconforto. Quando se escorrega depois dos 35, não há nada a fazer. Parar é o único, demorado e incerto remédio. Fisicamente funciona assim: poucas coisas funcionam, mas há pelo menos ainda a incerteza da recuperação. Na outras áreas é trinta vezes pior, a certeza de que jamais nos levantamos é muito maior. Eu, que afirmo que a calma e a certeza são os sinais mais importantes de que a morte está perto, detesto as escorregadelas, porque me dão a certeza da queda e me lembram cada vez mais as dificuldades de me levantar.
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