quinta-feira, 8 de julho de 2010

Riyadh - WYSIWYG

What You See Is What You Get, como todos sabemos, é uma verdade apenas possível nos editores e processadores de texto, tipo MsWord ou outros. No mundo real, WYSIEWYWG, What You See Is Exactly What You Won’t Get. Quantas vezes me sinto enganado pelo vulto com bons cabelos e de rabo jeitoso que me faz atropelar as pessoas que passeiam carteiras vazias no centro comercial para, em tempo, lhe ver qual o seu aspecto de frente? Quantas vezes não somos enganados pelas calças Levis justinhas, misteres em encobrir celulites visíveis a olho nu da mesma posição onde se encontra o telescópio hubble?
Pois é, este acrónimo em inglês tentando dizer que hoje a tecnologia permite que tudo o que vemos no ecrã seja tudo o que vamos ver impresso na impressora, associado ao facto de me encontrar desterrado (expatriado é mais bonito) em Riyadh, fez-me pensar que no mundo real tudo o que vemos não será por certo tudo aquilo de que iremos desfrutar. A experiência é a base de todo o método científico, por isso aqui o afirmo: WYSIEWYWG.
Em Riyadh, Arábia Saudita, este WYSIEWYWG é muito mais provável que em Portugal ou noutro país mais ocidental, como iremos ver. Se em Portugal as pessoas mais atentas estão preparadas para dar o devido desconto à mentira Levis ou para parar o movimento criativo que caracteriza quase todos os cérebros masculinos e mesmo para as levar à praia e efectivar o teste da areia dias antes dos finalmentes, em Riyadh isso não acontece. Aqui veste-se de preto da cabeça aos pés, quase nem os olhinhos dá para ver. Não há vultos às cores. Esqueçam o laranja ou o vermelho, o azul ou o verde alface. É preto e pronto, nelas, ainda que a temperatura se eleve aos 55 graus célsius, neles, é branco mais branco não há.
Ora como consegue um homem orientar-se nestes ambientes, e desculpem-me usar de uma expressão de todo despropositada, sem que coma gato por lebre?
Tenho colegas que olham para as mãos como o elemento mais significativo na tomada de decisão, outros são os olhos, há outros ainda que são os peitos ou o rabo, há ainda quem dê preferência aos cabelos. Aqui não há nada disso. Há burcas todas elas pretas onde não se vislumbra nada que ajude a imaginação a criar. Esqueçam a cena do fio dental a saltar fora da mentirita Levis, esqueçam o vestido branco quase transparente de onde se vê de que forma o triângulo assenta no paralelepípedo, esqueçam a probabilidade de o cai-cai cair mesmo. Nada. Só se vê preto. Até as mãos são revestidas de preto, fino. Nos centros comerciais passeio-me sempre com aquela sensação quase feliz de que estão a acontecer funerais de gente importante todos os dias.
Enfim, enquanto por aqui me veraneio vou formalizando alguns esquemas para perceber do meio de tanta cor preta onde estão as gajas boas, para, enfim, distinguir o trigo do joio. Os sapatos rasos ou de salto são o item mais importante e, logo a seguir, vêm os sacos que transportam a tiracolo. Não há mais nada para avaliar o que ajuda à decisão. São apenas 2 itens que nos ajudam de alguma forma a distinguir as boas das más, as maneirinhas das desproporcionadas, as bonitinhas das feiinhas, as apetitosas das outras que nos passam ao lado. Embora confie plenamente na aferição Sapato/Saco mesmo assim aqui não arrisco nem um milímetro! Ninguém me leva sem um verdadeiro e formal teste da areia (Até porque não quero ficar sem as mãozinhas).
Para finalizar, pode também generalizar-se a seguinte verdade: O Brasil é muito mais WYSIWYG do que Portugal não só porque há lá mais areia mas porque ali nada se esconde, embora existam por todo o mundo os mesmos meios para tudo se fingir.

2 comentários:

Anónimo disse...

Que se usem os meios!
O que interessa nao é o sitio onde se está, mas para onde se vai. Esquece lá ideais impossiveis, músas perfeitas .lol

B.

J disse...

E depois também há o:

WYSIWYWYWG

Desunha-te. LOL.