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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Titicaca, Puno, Peru

Na viagem da ilha de Amantani, a mais alta do mundo, no lago de Titicaca, para Puno, indicaram-me que o fizesse nas pequenas carrinhas que prestam esse serviço. Uma hora de estrada que custa quase nada: 4 soles, aproximadamente, 1 euro e 20 cêntimos.  

Como sou uma pessoa poupada e considerando que a alternativa para o dia não havia ou eu não a conhecia, decidi aceitar a indicação. Ora, uma carrinha daquelas é suposto levar 9 pessoas.
Chegado ao local de embarque deparo-me com uma fila de umas 50 pessoas, na sua maioria nativos. Comecei a pensar que a coisa podia não correr bem.
A primeira carrinha chegou e, como no milagre da multiplicação dos pães mas ao contrário, a fila ficou reduzida a metade. Pensei que talvez a maioria das pessoas na fila fosse composta de familiares que vinham para se despedirem dos seus relativos, como se faz nos aeroportos e estações de comboio.
A próxima carrinha, com o bocado de sorte que sempre me acompanha, iria dar para me levar de regresso a Puno.
E não é que deu mesmo?! Por ser apregoada como a última carrinha do dia tive que pagar 5 soles, uma ninharia pode ainda continuar a pensar-se. Então por que é que o conceito de caro e barato é absolutamente relativo?
Resposta: O motorista, um verdadeiro idiota, conseguiu meter dentro da carrinha, nada mais nada menos que 26 pessoas, sim, 26 pessoas, algumas de pé outras sentadas nos colos de colos. Eu ia de costas voltadas para o energúmeno, sem ninguém no meu colo, graças aos deuses Incas.
Logo que começamos a jornada sinto-me a viajar em sentido contrário da faixa de rodagem não porque estivesse de costas para o motorista mas porque de facto o homem cortava as curvas a direito e nas rectas seguia no meio da estrada a uma velocidade suicida. Morrer deve ser, em qualquer das suas circunstâncias, fodido, mas, há-de ainda assim ser possível subcatalogar essa passagem usando outros atributos. Por exemplo, morrer com apneia do sono é uma morte que pode ser classificada de estúpida, pois é como se de repente o nosso cérebro se esquecesse, com uma estranha leveza, de respirar. Morrer ali naquela estrada inóspita, feito num amontoado de carne e ossos, contra um camião, uma vaca ou uma alpaca, seria um nível acima de uma morte estúpida, só porque aconteceria apenas para se poupar uns soles. O idiota, para além de conduzir como um genocída (matar 26 pessoas de uma vez, pelo número apenas e não pela sua base racial ou religiosa, já deve dar para passar do escalão de homicida para o de genocída) decidiu entrar na brincadeira ao volante com um compadre de outra carrinha. Eu a ver-me encarar a morte de costas, a ver os animais nos pastos a centímetros da estrada a passarem ao lado e a desaparecerem a uma velocidade que ali só poderia ser medida em anos luz, a imaginar uma vaca a entrar-nos pela grelha do radiador dentro, limpando o sebo franzinho genocída do volante, vindo-se acabar desfeita nas minhas costas.
A viagem durou mais de hora e meia de puro terror na estrada. É bela a vida!
Chegado a Puno, para a comemorar, decidi entrar no primeiro restaurante de aspecto limpo e começar com um copo de vinho tinto (uma zurrapa, diga-se) seguido de outro e de outro e de um jantar farto, que a vida é bela enquanto andamos nela.

sábado, 7 de abril de 2012

Por quem me tomam


Em viagem, desta vez com a Swiss air, de Genebra para Madrid, onde se falava maioritariamente francês, espanhol, alemão, e inglês, provavelmente pela mesma ordem de importância, tive a oportunidade de avaliar, ou pelo menos pensava eu, e de calibrar, mais uma vez, qual a visão que os outros têm de mim, qual a minha aparência para as outras pessoas, enfim, por quem os outros me tomam, se é que alguém tome alguma vez alguém. Enquanto nos voos da Lufthansa é normal as hospedeiras e os comissários de bordo, e, já agora, julgo oportuno deixar bem claro que não entendo esta descriminação, pois enquanto Comissário de Bordo dá ares de corpo militar ou diplomático, hospedeira só me faz lembrar as gripes e todas as outras doenças que como os piolhos e as lêndeas precisam de um corpo, ou, mais genericamente conhecido, de um hospedeiro, para se propagarem, não entendo, dizia, esta mais que evidente descriminação sexual, que vou deixar passar em branco por agora pois será pano para muitas mandas numa outra altura mais apropriada, então, o que eu estava mesmo a dizer era que os assistentes de bordo da Lufthansa se dirigem a mim, normalmente, em alemão, o que não deixa de ser normal uma vez que viajo de Portugal para a Alemanha, ou vice-versa, e então o facto não indicia que eu pareço ao olhos das outras pessoas um alemão. Quando se me dirigem em inglês, também não significa grande coisa, isto é, não faz se mim um britânico ou um americano, pois, normalmente, os assistentes de bordo da Lufthansa não falam português e então o segundo idioma que lhes está na ponta da língua é o inglês. Mesmo que eu fosse muito português, fisionomicamente, não queria ainda assim dizer que eles fizessem de mim um português só porque que se dirigiram na língua oficial mundial. Lembro-me agora que no brasil as hospedeiras se chamam de aeromoças, que lhes dá um ar de cabeça no ar mas que ainda assim é bem melhor do que de corpo hospedeiro. Então, este voo da swiss air, pensava eu, iria tirar a limpo qual a imagem que passo para o mundo. Como vinha de Genebra tentaram a interacção em francês que não resultou muito bem pois eu respondi em inglês, ao que eles, talvez para demonstrarem que também eram capazes, continuaram em espanhol, ao que eu continuei a responder em inglês. Por fim, lá ficou determinado que o nosso voo, pelo menos o que ao meu espaço dizia respeito, seria todo ditado em inglês. Ora, a grande espectativa criada a princípio, para esclarecer o assunto “por quem as pessoas me tomam” foi logo pela água abaixo.  Ou seja quando viajo da Suíça para Espanha, tanto passo por um  suíço como por um espanhol, e vá lá o diabo e escolha, da mesma forma que quando viajo da Alemanha para Portugal tanto posso ser alemão como português. Há poucas coisas melhores no mundo do que esta leveza de não sermos nem muito salgados nem muito insossos.
Termino como Antonio Gedeão: Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dubai - Rattel Snake

(Este texto está em perfeito desacordo com o acordo ortográfico.)

O Rattel Snake no Dubai apresenta-nos um conceito interessante. Basicamente o bar está para o Dubai como o facebook está para o mundo: É um ponto de encontro. Há uma substancial diferença que convém ressalvar, para que não se criem esteriotipos. No facebook há de tudo. No Rattel Snake só há duas categorias de pessoas com milhentas subcategorias. Há os homens, e as mulheres. As mulheres são todas prostitutas, que pagam para entrarem no bar como os homens para que não se diga que nos Emirados Árabes há pré-conceito. Depois há os homens e é aqui a que a catalogação começa quase sem fim. Nos homens há aqueles que vão lá para beber umas cervejas caras, não havendo mais nada a ressalvar sobre esta espécie, e todos os outros. Na classe todos os outros há os frustrados e os poucos frustrados, mas acabam todos por ter uma certa frustração. Dentro dos frustrados pouco há a dizer. Esses, como se costuma dizer, “nem fodem nem saem de cima”. Estão para as meninas como os que lá vão beber cervejas caras: São uma pura perda de tempo – e note-se que lá, para além da perda de tempo, puros, só os cigarros Cuibas. Nem pelos perfumes Channel ponho as minhas mãos no fogo. Em relação aos poucos frustrados, aí sim, há detalhe a descrever. Há os poucos frustrados ainda com solução e os poucos frustrados que acabarão como os frustrados: Uma perda de tempo. Em relação aos poucos frustrados que acabarão como os frustrados não há mais coisa alguma a dizer. Já em relação aos pouco frustrados ainda com solução, esses são os que pagam para que alguém lhes faça subir o ego. Erguer o ego como se diz na minha terra. São esses que valem a pena, do ponto de vista das prostitutas. Eu, se fosse prostituta, era nessa classe que meteria o meu foco.

Admiro o meu chefe. Aliás, na relação chefe subordinado tem que haver sempre admiração ou outra coisa qualquer a acabar em “ão” ou “eito”. Por exemplo, quando não há admiração intelectual pelo chefe tem que haver respeito físico. Um trinca espinhas nunca pode ser um chefe porque ninguém respeita um trinca espinhas, da mesma forma que um burro não pode ser um chefe porque não há respeito por um burro, excepção seja feita à classe política.
Como o meu chefe que muito admiro diz, sim, porque acabamos por ter sempre um chefe, se não é no trabalho é na cozinha ou na sala de estar, não há excepção, havemos de ter sempre alguém a cagar-nos na cabeça, como o meu chefe diz, dizia, quando um homem é rejeitado num bar de prostitutas a sua vida está acabada ou perto do fim. Descer mais baixo é impossível. Não há espelho, psicólogo ou bruxa que remedeie o caso.
Eu, para não correr esse risco de ser inserido no grupo dos “em_fim_de_vida”, entrei no Rattle Snake para beber umas cervejas... E saí de lá realizado. 

O intercontinental no dubai, festival city, tem de tudo. Para além de tudo o que tem, apresenta em cada quarto um menu de almofadas. Ora digam lá se isto não é a maior paneleirice que o mundo alguma vez pôde engendrar?!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oman - Muscat


(Este texto está orgulhosamente desconforme com o novo Acordo Ortográfico)

100 anos depois de Vasco da Gama, Vasquinho para os amigos da altura, ter dobrado as tormentas mais o seu cabo sem se ter deixado enganar pela falsidade da baía falsa (False Bay) sul-africana, e, muito menos, deslumbrar pela Table Mountain ou a pela Lion’s Head, outros portugueses ali passaram vendo nessas montanhas outros bichos muito mais interessantes e imaginativos e visando outras localidades mais distantes, usando barcos movidos pelo vento. Foi, provavelmente, por serem tão bons na arte de velejar, com vento contra ou a favor, que não lhes foi possível antever que anos mais tarde, muitos anos mais tarde, debaixo daqueles solos de Oman apareceria um ouro de cor preta que hoje outros manipulam e especulam, a seu bel-prazer, arrastando-nos a todos para um poço sem fundo.

É emocionante imaginar o Tuga a entrar Muscat adentro com as armas e os barões assinalados e com um jogo especial de cintura, uma espécie de kong fu que se baseava muito mais na arte de comercializar do que de invadir e conquistar, tomar aquela terra que tem tanto de bonita como de estéril e começar a empresa de erigir tamanhas fortalezas, colorindo a região de um verde que só o Minho de Portugal e as suas gentes o podem reconhecer.

Muscat esteve durante 140 anos sobre o domínio português e isso nota-se. Nota-se na paisagem que os portugueses sempre a souberem escolher bela. Oman tem uma das mais bonitas paisagens de todo o médio Oriente por isso é que os nossos antepassados se decidiram a lá irem fazer história. Nota-se na forma como aqueles fortes de Muscat se unem umbilicalmente às pequenas colinas que descem quase despidas e agrestes para o mar e nos deixam adivinhar outras colinas de maior porte, lá a existirem para o interior, mais ou menos de um despido que seria erótico se não fosse provocado por um sol paterno rigoroso e um solo materno de um estéril arenoso. Nota-se, porque a uma paisagem assim, bela, faltava engenho português para a revestir de um verde Minho (sem álcool) e a colocar 3 patamares acima de tudo o resto ali à volta. Faltava ali a criatividade portuguesa, a tuga alquimia que transforma as coisas belas em deslumbrantes, note-se! Não me admiro nada se alguém vier a descobrir que a primeira palmeira foi ali escavada por um português. Não me admiro nadinha! Consigo ver as armadas portuguesas a passarem ao largo, como quem se vai embora sem interesse algum, e o cochicho interno sobre a potencialidade da zona emergir como um brainstorming sem grande algazarra ou tempestade, não duvido também que o conceito de brainstorming tenha surgido a bordo de uma destas estruturas portuguesas, Ora bem, diz o do leme, Aqui está uma terra fantástica para ancorar, enquanto aponta a proa para Muscat na zona mais profunda mas que ao mesmo tempo oferecesse a colina com menos desnível para ali entrar, não fosse a quilha sair quilhada do evento. Para ancorar não meu capitão, aquilo é terrinha para nos entretermos durante algum tempo, só quase precisamos de “cobrir” de verde, tudo o resto parece já ali estar, ajustou o que se encontrava dependurado no mastro.

E assim foi...

Se Beirute nos toma pelos sentidos, Muscat toma-nos pelo pensamento que é feito com memória, como um acumular de dados cuja existência só se manifesta no passado. Assim, com alguma propriedade, podemos dizer que Muscat nos toma pela sua história. Quem diz Muscat, pode mais genericamente dizer Oman, pois todo o país é composto por estruturas que nos trazem à memória os feitos os defeitos e os efeitos do passado.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Troubling


 Mogwai - Travel is Dangerous

Não sei se é para me esquecer ou para me lembrar de que viajo para Riade, o que é certo é que, a cada viagem, acabo por beber um pouco (de) mais.
Desta vez comecei no lounge da Lufthansa e com uma mão cheia de boas intenções, preparando um lache macchiato, pão com compota e duas tigelas de cereais com leite simples. Deixava para trás o sol e a alegria de ser português e nada melhor do que café com leite, que em Portugal se celebra com o nome de galão ou meia-de-leite, directos, para me recordar do facto. Frankfurt, essa Frankfurt sobre quem me quero convencer de que nunca é nem será destino mas meio caminho para outra coisa qualquer, acenou-me a lembrança de que do outro lado estava desta vez, mais uma vez, vezes demais, o deserto de ideias que é a cidade de Riade. Estava quente e bem com todo o frio que fazia lá fora, do outro lado da vidraça. Estava bem porque todas as minhas caminhadas nem são peixe nem são carne, nem são princípio e por princípio não são fim, são sim, como me quero convencer a despeito de Frankfurt, o meio, o temporário, o efémero de alguma coisa que espero nunca venha ou, se vier, venha a acontecer muito tarde porque não me canso de viver neste lugar muito lugar nenhum. Em Frankfurt, como estava a dizer, vejo-me sempre a meio, desta vez, entre o verde do Portugal minhoto e o amarelo árido do deserto Saudita e logo logo, logo que o estômago deu o seu assentimento, passei a uma Becks loiríssima como a mais loira das alemãs acompanhados por uma pasta italianíssima de Frankfurt. Logo logo rejeitei a pasta me dedicar totalmente e de lábios dados com a Becks, mais uma, de similar doirado.
Entrei no avião como se entrasse numa nave espacial de especial com destino a nuvens de algodão doce. A saída de emergência lá me esperava para o característico embate com o João-pestana do arranque ainda com a Becks a dar-me cabo da cabeça como todas as coisas femininas o sabem fazer. Logo logo se seguiu o lanche servido pelas senhoras feias da Lufthansa, diria, se ali naquele voo não houvesse uma bela excepção com um metro e setenta e cinco de altura. Um gin tónico por favor. Bife ou cordeiro disse uma das que não faziam parte da excepção. Detesto cordeiro. E como bebida o que vai detestar, formalizou. Vinho tinto e já agora um copo de água, sem gás. E mais um e mais um e mais um, copos, de vinho. Ao quarto copo decidi ir à casa de banho aliviar a bexiga do copo de água que não parava de me atormentar e tirar alguns apontamentos das expressões das gentes naquele voo.
Chego à conclusão de que já só escrevo em duas situações, ou quando estou bêbado, o que é raro, ou quando estou de regresso a Portugal.
Como dá para ver pela descrição eu não me encontrava a regressar a Portugal.
Um conhaque para rematar, diz um dos comissários de bordo. Sim, para rematar. Era um conhaque dos bons, embora não chegasse aos calcanhares de um Remy Martin.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As vezes apatece-me...

KSA, 2011
Outras vezes, não.

sábado, 23 de outubro de 2010

Latte Macchiato


No segmento das meias-de-leite, a meia-de-leite portuguesa, referida a partir daqui simplesmente como MdL portuguesa por uma questão de rapidez e de estética, ainda ocupa o primeiro lugar deste meu ranking das misturas de leite com café. Já aqui contei o que penso do capuchino, que não é mais do que meia (meia mesmo) MdL portuguesa com muita espuma, isto é, metade é MdL e a outra metade é espuma, e da forma como isso pode atormentar os gases, chegando mesmo a ir mais longe, dissertando sobre aqueles efeitos maricas que lhe dão os desenhinhos em canela sobre a espuma, e, estando agora em condições de prosseguir na análise, metendo ao barulho o Caffe Latte alemão ou a falácia Café au Lait franciu, continuo a manter a minha posição: não há nada que chegue sequer ao calcanhar da pouco publicitada MdL portuguesa. Ora, se assim bem estou no que a este segmento se refere, há um outro segmento nestas misturas onde os movimentos no topo da lista não me têm deixado dormir tranquilo a noite. Falo obviamente do segmento Galão! Se no princípio era o galão português que sem um milímetro de dúvida encabeçava tão obtusa lista, agora começa a entrar a dúvida do Latte Macchiato alemão e isso é do piorio para a economia deste país à beira mar plantado – plantado mesmo! Os franceses e os italianos não concorrem neste segmento, pelo menos no meu ranking, porque acho que é um pecado mortal andarmos a comparar água mal filtrada com aquilo a que se pode chamar de galão.
Então vejamos a minha ansiedade quando observo impávido mas nada nada sereno o latte macchiato a passar a perna ao galão, assim: Com um galão fico com aquele sentimento de que precisava de um bocado mais, tipo mais um ou dois dedos de galão, há um inegável desconforto, do género é completamente excelente no sabor mas falta-lhe quantidade, falta-lhe 2 dedos de volume. Há um “mas”, entedem? Com o latte macchiato alemão essa coisa da quantidade está resolvida com rigor absoluto, nem de mais nem de menos. Pronto… é por demais evidente que como o capuchino do segmento das MdL falha na espuma e na virilidade dos desenhinhos, o latte macchiado é também um exagero de espuma no segmento dos galões. Temos, é certo, aqui um “mas” mas esse “mas” que é o erro de concepção alemão é menos “mas” que o erro da quantidade português. A espuma, como tantas outras coisas na vida, pode apartar-se para os lados; o défice de quantidade ou de tamanho por vezes é difícil de se emendar, por extensão, por implantação ou por qualquer outra abordagem criativa terminada em ão. Por tudo isto, estou a pensar seriamente em passar o Latte Macchiato para a frente do galão nesta minha lista das misturas do leite com café
Não falei de países que não entram no ranking, por exemplo, dos espanhóis, porque nas MdL e nos galões primeiro é preciso saber-se tirar um expresso e depois saber mugir-se cuidadosamente a vaca. Os espanhóis só sabem mugir a vaca, como os franceses, nos intervalos das greves. Os alemães estão a aprender a tirar o expresso, mas como em tudo vão longe com a coisa.

Cafetiero em Frankfurt Zeil.