quinta-feira, 6 de junho de 2013

Guru


Não sei se fique feliz ou triste, quando me apresentam como o guru do ATP. Tem, muito provavelmente, a ver com a palavra guru, em que o U toma metade da palavra, exactamente metade. Em que não participa maioritariamente nem minoritariamente para a existência da mesma. Uma irrelevância, um paradoxo demasiado paradoxal, uma inexistência difícil de aceitar! 
50%... é como se o guro existisse de igual forma, com ou sem o U, grrrrr! 50%... é como se o guro não existisse e passassem a existir duas, várias palavras, grrrr, uuuuu, ugrrrr, uruggggg.
É redutor. 
É como se de repente "aqui está o guru", nem mais nem menos, nem humanos nem inumano, guru, apenas, sem acento, agudo, para dar à palavra uns tons latinos, que, parolos, acabam por ir muito bem com quase todas as coisas, como o arroz.

Desabafado,
Guru do ATP

quarta-feira, 29 de maio de 2013

I was like...



Aqui, nas conversas de rua entre mulheres, ouve-se constantemente a expressão,  “I was like...”, sem rematarem com o como é que raio estavam afinal de contas. Isto, como é de prever, deixa o comum dos transeuntes, os do meu tipo, irritados, pois toda a frase que tem um princípio e um meio, deveria ter por lei um fim, e, não o tendo, que se outorgasse o dever de pagamento de 100 dólares de coima por se usar um idioma de forma inapropriada, dando-se ao abuso de não se completarem as frases. I was like, sem se dizer like what?, para além de me deixar naturalmente confuso, deita pela água abaixo todo o esforço colocado no seguimento das conversas de rua, afectando desmesuradamente a qualidade dos registos antropológicos a que, por incumbimento do pequeno deus ócio, me sinto obrigado a realizar.
Tentando encontrar um paralelo para este “I was like...” na língua de Camões, pode vir-nos à cabeça o conhecido "eu fiquei, tipo...", que só levianamente se pode comparar, uma vez que o “eu fiquei, tipo...” jamais existe sem terminar com, pelo menos, um vaziíssimo “dahh”. Tanto o “eu fiquei, tipo... dahh“ como a sua forma interrogativa do “eu fiquei, tipo... mas o que é isto?!”, não deixam margem para dúvidas em relação ao estado em que a pessoa que ficou, ficou. Daí que considere leviano alguém encontrar um paralelo entre vacuidade e indeterminação do inglês das minhas contemporâneas de rua americanas com a reduzida diversidade do vocabulário português usado nos dias de hoje. É por isso que acabo por ficar, tipo... sei lá!

domingo, 26 de maio de 2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

A Esquerda Quântica Portuguesa


A teoria quântica diz que uma determinada partícula existe em todos os estados ou posições possíveis até ao momento em que é observada. Ora, isto é o mesmo que afirmar que, por exemplo, uma árvore existe em 2 estados simultaneamente, em pé E deitada, até ao momento em que alguém a observa e lhe reduz a existência a uma das posições, em pé OU deitada. O mesmo acontece com o gato de Schrõdinger que está morto E vivo dentro de uma caixa, dependendo de um evento aleatório precedente, como o decaimento de um átomo que fará disparar um mecanismo mortal, e que o gato estará vivo, OU morto, quando alguém o observar dentro da caixa.
É assim claro que para alguma coisa existir neste mundo quântico, num estado apenas, tem que haver sempre um observador. Sem observador não há realidade, não existe a coisa que devia ser observada, ou existe, mas em todas as dimensões possíveis. A teoria quântica tem, assim, aplicação em muitas áreas, e justifica quase tudo, até a percepção dos problemas que só existem se forem observados.

Então por que é que a esquerda em Portugal é quântica?
Porque também ela faz descrições e observações dos objectos, das circunstâncias e das situações, dando-lhes a merecida existência.
Bem certo que dar existência às coisas, para além de ser uma actividade normalmente associada aos deuses da fantástica mitologia grega, é um acto tão grandioso que só grandes almas, altruístas, desprendidas, desinteressadas e muito apaixonadas podem alcançar. Eu reconheço esta capacidade criadora à esquerda portuguesa, ponto final. O que quero dizer é que o problema da esquerda não está neste acto de criação; o problema da esquerda está no excesso de criatividade.
No exemplo usado no início deste texto, da árvore e os seus 2 estados possíveis, em pé E deitada, o excesso criativo da esquerda quântica portuguesa irá criar uma árvore inclinada ou em levitação, que nem é boi nem é vaca, num estado “intermédio”, mesmo que física e economicamente seja um estado impossível (o exemplo da árvore é mau pois a inclinação e a levitação são 2 estados fisicamente possíveis), “límbico”, só para agradar a gregos e a troianos e fazer de uma grande massa de portugueses, dos que ainda pensam e têm algumas noções de matemática e de economia das básicas, de otários. É este “mais ou menos” da esquerda quântica portuguesa que me chateia, caralho!
Mais uma vez, baseando-me na quântica da vida, e sem me querer alongar muito, tenho ainda a observar, pois é observando que se cria a realidade, que para haver otários tem de existir a outra parte, o grupo que os observa e lhes dá existência. Ora, há aqui uma relevante esperança para o grupo de otários que a esquerda se entretém a observar e a criar: é que o excesso de criatividade que a esquerda quântica põe nas observações que realiza torna altamente provável que a observação esteja a dar existência a algo física, matemática e economicamente impossível, tornando assim em otário não o grupo observado mas o grupo que o observa.
Sinceramente, não sei o que é mais perigoso, ser otário ou fazer os outros de otários, pertencer a um país governado por otários ou governar um país de otários. 

Mais não seja pelas consumições que não os consomem, os otários tenderão a viver muito mais tempo que todos os outros grupos ou existências. Ou seja, vão ser precisas muitas gerações para que esta leveza de se pensar “que se pode viver com o dinheiro dos outros” se esbata e desapareça.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Esta alma não é para velhos


A dor chegou assim de repente, sem pré-aviso - ao contrário das greves, como um sufoco, ali, no peito, cardíaca, em guinadas fortes. Era quase meia noite, hora em que o dia se acaba como um suicídio e em que todas as dores sem carácter se aproveitam, qual Adamastor, para se agigantarem. Eu lá estava sozinho, sem ninguém ou sem motivo capaz de parar este meu pensamento epiléptico. Eu, que em doenças cardíacas e em muitas outras maleitas possuía um ou dois mestrados informalmente adquiridos nas lidas da internet e nas trocas de mensagens electrónicas, àquelas horas da noite, naquelas circunstâncias, com esta minha alma que em título disse não ser para velhos, para corpos velhos queria neste momento clarificar, recebi aquela dor como um “agora é que estás mesmo fodidinho e vais morrer abandonado que nem um cão”. E é que estava mesmo! A um corpo de expatriado não há telefone ou serviço de urgência que lhe possa valer, muito menos o há para uma alma que se recusa a expatriar.
A dor continuava nas suas idas e vindas, fortes, como as marés revoltas no mar, e eu ali a ver todos os sintomas lidos em páginas dúbias a tomarem posições com uma disciplina militar, a ver a morte tomar-me e a gozar-se disso. Eram as dores no peito e o desconforto que de repente se acumulou no meu queixo impaciente à espera da sentença final, e eu, esquizofrenicamente atento a todo o processo na ânsia da dor no braço esquerdo que, tardando, sabia, qual menino Jesus, estar para vir.
Normalmente este meu corpo repousa com uma t-shirt e uns boxer enquanto cabe à almofada o tratamento desta minha alma. Ali, naquela noite nada normal, decidi meter uns calções vermelhos para aparecer mais compostinho se me encontrassem semanas mais tarde guiados pelo cheiro da putrefacção, morto, da silva. Os mesmo calções que trariam alguma decência se a hora da morte me desse tempo e discernimento, mesmo antes da última batida, para abrir a porta do apartamento e me deixar desfalecer do lado de fora nas áreas comuns do edifício. É para isto, é também para isto, que se paga o condomínio, para sermos agraciados do direito de morrermos onde bem nos apetecer. A mim não me apetecia nada morrer e não me importaria nada de pagar o condomínio mais caro do mundo sobre o direito a lugar nenhum. É que se permanecermos nesse lugar nenhum talvez a morte não nos consiga encontrar.
Agora era tarde...
Eram já duas da manhã e não havia meio de conseguir dormir. Se a dor no braço esquerdo tinha faltado à formatura parece que o oficial do dia da morte a houvera substituído por espasmos faciais, imagine-se! E lá estava eu às voltas. Se morrer já era mau, morrer com a cara toda de lado seria esteticamente muito pior. Se para o resto do corpo havia o remedeio dos calcões vermelhos para a cara nem o mais sublime pó de arroz resolveria o assunto.
Entretanto, agora já era de tarde...
Sábado, no hospital privado de Guimarães haviam acabado por me retirarem o cateter de uma das veias do braço esquerdo e lá foram dizendo em jeitos de sermão que não havendo nada de mais nos exames me aconselhavam a controlar a diariamente a tensão arterial. Quase que me atrevi a contar-lhe a história de que que o meu mal não estava no sangue mas nesta alma que não é para velhos.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Made in Portugal

Ainda se fazem coisa perfeitas em Portugal.

Som e video potentes: d3o (os Tédio-boys renascidos)




Grande som, os Linda Martini