sábado, 9 de julho de 2011

Errata


Ontem fizeram o favor de me elucidar de que me teria engando no período de gestação humano quando escrevi o texto “O nascimento e as rabanadas”. São 9 meses de gestão e não 10, diziam-me. Nesse texto fui ao ponto de afirmar que cópula em Fevereiro dá os seus frutos lá para Novembro, já se a coisa fosse antecipada para Janeiro teríamos festa lá para Outubro.
Acabei por corrigir o texto passando o Janeiro a Fevereiro e o Fevereiro a Março. 

Ainda pensei duas vezes se o deveria fazer...

É que sendo eu um daqueles homens que contabilizada as duas semanas de galanteio e de ramos de flores, jantares à luz de velas, serenatas, ramos de flores, surpresas e prendas variadas, as chamadas a todas as horas para saber se está tudo bem, os ramos de flores, o telefonema antes de dormir e a mensagem ao acordar, os ramos de flores, as visitas aos shoppings aos cinemas e as boticas, os ramos de flores, tudo isto antes do comummente aceite “ato sexual” e mais duas semanas, imaginem!, de carinhos e outras doçuras depois do também comummente aceite “fazer amor”, acabando por se sobrepor todo este anteriori ao posteriori e ao ato em si, culminando tudo numa grande festa de afecto e dedicação, considerar 10 meses como o período de gestação para a minha classe até nem é tão errado como à primeira vista se possa pensar.
Decidi no entanto corrigir o texto uma vez que os homens da minha estirpe são cada vez mais raros e fica assim mais difícil de entender os 10 meses de gestação a que me referia no texto anterior.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O nascimento e as rabanadas


Estive aqui a pensar que para nasceres em Julho tiveste que ser feita em Novembro. Ora, Novembro é um bom mês para se nascer, como foi o meu caso, e não para se ser feito. É que uma queca dada (ou vendida) em Novembro requer muito mais energia e capacidade de abstração do que uma executada em Março - Até os gatos começam a andar com as hormonas nos pícaros em Março, não é verdade? É a natureza a pedir que se copule, forte, e feio. Em Novembro, as pessoas andam muito tapadas, o frio reduz alguns pénis à inexistência de 5 centímetros - a cópula requer menos 18 centímetros, sabias? -, o pensamento está mais para doces e outras formas de acumulação de energias e açúcares do que para quecas e outros modos de dispersar energia e de partilhar centilitros de saliva açucarada. Em Novembro o mel começa a ser comprado para ser gasto em rabanadas, mexidos e aletria e não com o propósito de ser suave e uniformemente aplicado na pele, amaciando-a. Todos os outro óleos estão mais na cozinha do que nos aposentos de hidromassagem. As noites começam mais cedo mas as novelas fazem-nos deitar à mesma hora; os dias começam mais tarde mas o trabalho obriga-nos a levantar à mesma hora. É todo um momento intelectual que se perde. E quem acaba por sair prejudicado com tudo isto? A cópula.
Isto tudo para dizer que tu és o fruto de um acto (não consigo escrever acto sem c) mais epopeico do que todos os outros bebés que nascem em Novembro ou em Outubro. Tu requereste muita mais energia e capacidade de abstração. No meu caso não foi preciso nada disso, foi só seguir o ciclo normal da natureza. O resultado, no final, deve ser o mesmo, pois nascemos todos com os olhos fechados, tudo o resto depende da palas que nos metem na frente ou dos lados, quando os abrimos. Nascer-se em Outubro é muito mais contranatura que tudo o resto. Os que nascem em Outubro são feitos em Fevereiro e, pressuponho, nem é preciso abstração, mais energia ou seguir o ciclo normal da natureza, é suficiente o descarregar da energia acumulada dos doces as festas natalícias.
Enfim, toda esta pseudoteoria com bases em ciência da que se faz em Sta. Eufémia seria válida se não olhássemos para ti e notássemos essa tremenda energia que transportas contigo e que te é congénita. Estou certo, e em modos de pergunta termino este texto, escrito para to dedicar, no início, mas que após as primeiras frases tomou caminhos que não enaltecem o standard de dedicatória alguma, estou certo dizia, de que nasceste prematura, não foi? É que, acho, o teu algodão energético não nos engana. Se assim foi, lá se fica por terra toda esta epopeia de gatos, rabanadas, energias, e cópula. Mas, sabes, não interessa. O que importa mesmo é que enquanto o escrevi pensei em ti. Parabéns! Desejo-te um estado Em Joy!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Freckles

Mais conhecida como Kate Austen na série Lost, Angeline Lilly dispõe uma beleza que dispensa qualquer make up (?). Aliás, é tão natural a sua beleza que, ficando bem de qualquer  forma, torna-se uma diva quando se nos apresenta no seu estilo maria rapaz.

domingo, 19 de junho de 2011

Quem escorrega também cai

Quem caiu também escorregou
Mogwai - Yes, I am a ling way from home

Há provérbios e provérbios, como há ditos e ditos, uns válidos e comprovados pela experiência e outros onde a validade é dúbia ou, no mínimo, discutível. Ora o quem “escorrega também cai” era um dos ditos que eu considerava pouco aplicável à realidade. Quem escorrega, dizia, pode ainda assim não cair.

Acabo de me certificar que cheguei há muito à idade em que quem escorrega cai, definitivamente. Será que os provérbios têm um aplicação por escalões etários? do tipo, até ao 35 anos quem escorrega pode ainda assim não cair, depois dos 35  quem escorrega também cai, será? sei lá!

Eu acho que é como digo.

Faz 3 semanas que escorreguei e caí duas vezes seguidas enquanto preparava uma, como na minha terra se diz, frangalhada para os amigos. Para além de o facto de as escorregadelas serem de uma forma tal – forma tal para a minha idade - que não pude evitar cair, ao contrário do que me acontecia nos tempos em que a minha condição me dava uma agilidade que me permitia evitar o tombo mesmo a 5 centímetros de chegar ao chão, constatei ainda outro facto que me permite afirmar que cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou”, uma bela forma de dizer que nesta idade não nos podemos dar ao luxo de cair por cair ou cair pelo sabor da experiência. Cheguei à idade em que “quem caiu também escorregou” ou à idade em que não se nos é permitido cair.

Quando se tem 15 anos, aparecer a coxear na frente dos amigos e amigas é um sinal de valentia. Aí as mazelas provocadas por uma queda são estimadas, cultivadas, fingidas e prolongadas até ao ponto em que os outros nos continuam a olhar como quem olha um rebelde, um herói, um guerreiro acabado de conquistar a guerra. É esse olhar de fascínio dos outros que faz com que as escorregadelas possam ser com ou sem queda, sobre o nosso desígnio e controlo. Somos uma espécie de pequenos deuses das escorregadelas. O mundo e a natureza aí são perfeitos, caímos e levantamos tantas vezes quantas nos der na gana. Recuperar de um entorse faz-se em menos de um dia, com ou sem gelo, com ou sem erodoide(?), o corpo facilmente se transforma de uma máquina de força e agilidade numa fábrica de produção de antinflamatórios. É deslumbrante e  belo.

Quando se chega à minha idade, uma pequena queda provoca o maior dos danos. Os seguros de saúde e acidentes pessoais passam a fazer todo o sentido, e deviam ser mais caros e obrigatórios. Primeiro, é limpinho que “quem escorrega também cai”, segundo, à “primeira quem quer cai à segunda só cai quem quer” passa a ser uma máxima claramente falsa, terceiro, o “levanta-te e anda” da época de Jesus passa a ser completamente impossível na idade dos que não podem sequer escorregar. E isto passa a ser válido para todos os aspectos da nossa vida, dos mais físicos aos mais espirituais.

Se aparecemos a coxear os olhares de quem não nos conhece passam a transmitir um sentimento que nada tem a ver com fascínio. Quando aos 15 nos sentimos os heróis, depois dos 35 passamos a sentirmo-nos deficientes, manquinhos, coitadinhos. Enquanto aos 15 se cura um entorse em menos de 24 horas, depois dos 35 pode levar meses a curar, pior, para não forçarmos a dor acabamos por magoar  todas as outras articulações. É uma bola de neve. Comigo começou com um pequeno entorse que logo passou a dores fortes no joelho, as dores na anca vieram logo a seguir e as costas já começaram as manifestações de desconforto. Quando se escorrega depois dos 35, não há nada a fazer. Parar é o único, demorado e incerto remédio. Fisicamente funciona assim: poucas coisas funcionam, mas há pelo menos ainda a incerteza da recuperação. Na outras áreas é trinta vezes pior, a certeza de que jamais nos levantamos é muito maior. Eu, que afirmo que a calma e a certeza são os sinais mais importantes de que a morte está perto, detesto as escorregadelas, porque me dão a certeza da queda e me lembram cada vez mais as dificuldades de me levantar.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Primeiro estranha-se depois entranha-se

Olivia Wilde
Como não vejo o Dr. House (?) desconhecia esta senhora, até que, numa semaninha apenas, tive o prazer de a ver actuar em dois filmes, um que não me recordo do nome (Penso que foi o The next tree days que é um grande filme mas onde ela aparece num papel reduzido), e outro que embora me recorde (TRON Legacy), tirando 1 ou 2 diálogos, não tem ponta por onde se lhe pegue. Mesmo assim não dei o tempo por perdido. Vale a pena ver os filmes pela personagem que, como a coca-cola, primeiro estranha-se e depois entranha-se.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dubai: Rattel Snake 2

(quase em acordo com o acordo ortográfico)

Não tiro nem uma vírgula ao que já aqui disse sobre o Rattel Snake: É um ponto de encontro onde se vende cerveja cara. Mas, agora que já sou considerado cliente habitual da loirinha Heineken, venho aqui fazer um reparo mais que necessário, necessaríssimo, sócio!... é que não conseguiria dormir em paz caso não despendesse de algum tempo a discorrer esta ressalva.

Aquele bar é como uma zona de caça (caça ou caca?) desportiva em que o caçador para além de pagar para entrar tem que negociar com o coelho como este se deve posicionar para levar o tiro.  Ora ora ora!, não há nada que me irrite mais do que negociatas, sejam elas de que tipo forem!

Tem a ver com paciência. Eu não a tenho, definitivamente. Assim, acho que a frase “tem haver com paciência” passa a ter que ser considerada como uma frase em português correcto. Em português, correto?

Como estava a dizer, tem a ver com paciência. Um caçador entra na zona de “caca desportiva” para dar uns tiros, fazer movimentos rápidos, caminhar atrás das presas, jogar às escondidas com os arbustos, correr, fazer jogos de cintura que estremecem as mais superficiais hérnias, expelir adrenalina, expurgar suor e frustração, libertar gases, desviar os slipes do rego com movimentos de anca enquanto se tira retira e recalca o macaco do nariz com o dedo mais mindinho, coçar a virilha, e começar a corrida de novo, para o arbusto seguinte, não mais que duas vezes seguidas que a marmita atempadamente preparada pela senhora no dia anterior já está esquentar. Ora, agora imaginem que chega um caçador ao recinto e tem que estar ali a ouvir o coelho a dissertar sobre as leis da caça?! E é que eles não se limitam a palrear sobre como está o tempo e o estado do mar, vão mais longe, irritantemente mais longe, elogiam sem propriedade as artes do caçador, exageram no texto e arriscam no conteúdo, dizem sobre a pontaria da mesma forma que o vidente aponta sobre o futuro, ditos claramente sem nexo, quase que ousam tocar, brincar e explorar a arma com que deviam ser caçados. Isto é um abuso não é? Um abuso em qualquer parte do mundo, quanto mais num recinto de "caca desportiva".
Mas é assim que funcionam todos os vícios. Não existe vício no mundo que não seja a pagar.

Não estou surpreendido nem desiludido. Estou conformado, e em paz.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Psicologia barata


Há outra fantasia que não me sai da cabeça, porque é fantasia, talvez. Só as coisas que não se têm jamais se conseguem esquecer.

Deve ser fantástica a cena do paciente, da psicóloga, o caos de uma secretária cheia de livros, uns aberto, outros fechados, outros rasurados, outros completamente amarrotados, outros já impregnados de calor e suor, outros ainda por ler, uns óculos desalinhados na ponta do nariz da psicóloga, que tem que ser empinado senão não vale, uma das ligas já ao abandono no chão de pinho, os cabelos loiros fartos que de loiros finos está o mundo cheio, uns sapatos, dois sapatos de salto bem alto, sempre, calçados e que já não tocam o chão, um candeeiro prestes a desfazer-se em pedaços como uma onda de champanhe, e, minutos antes, poucos minutos antes, as formalidades da entrada, as boas noites senhora doutora, as descrições banais, as descrições formais, as descrições de outros caos internos mais caóticos do que aquela secretária que ali existe como um centro de mundo, logo logo os olhos nos olhos, os olhos que se desviam dos olhos, o medo da colisão, o abrir e o fechar de olhos assíncrono a princípio, suavemente síncrono depois, o semicerrar, primeiro dos olhos e depois dos lábios, uma vez, duas vezes, muitas vezes, vezes demais para uma consulta de rotina, a evidência a tornar-se evidente, as palavras a saírem rubras, uma sala de 35 metros quadrados, um jogo jogado em 2 metros de perímetro, que passou a 1 metro e meio após a descrição pormenorizada do primeiro sintoma, logo logo 1 metro, para depois se tornar na distância de um braço feminino, dolorosamente feminino, cinco dedos a repousarem na secretária como quem repousa antes de um grande combate, dez dedos agora, de tonalidades e vibrações diferentes, a misturarem-se, a percorrerem-se devotos, meio metro, 40 centímetros, etc (et caetera porque este jogo é bonito demais para acabar na banalidade dos -18 centímetros) ... e, tudo isto observado pelos olhos de Freud, de um dos retratos presos a uma moldura de uma parede branca do consultório.

Se por cada burca deixada abandonada no soalho é como se se implantasse uma democracia, pode dizer-se, com toda a propriedade, que por cada consulta de psicologia conduzida neste sagrado ambiente é como se se acordasse a mais amigável das ditaduras.
As ditaduras por curtos períodos fazem, do meu ponto de vista, muita falta, mais não seja para nos lembrar o quanto é bom a democracia. A implantação de uma ditadura exige paz; a implantação de uma democracia exige guerra. A ditadura da psicóloga faz falta a qualquer homem, com neurose ou sem neurose, tem é que ser um homem de paz... e amor.
 
 https://www.youtube.com/watch?v=nPYMpX1J2To